Centro de pesquisa e conservação mantido pela Vale produzirá meio milhão de mudas em 2011 destinadas ao reflorestamento de minas e reservas ambientais.

A recuperação de áreas degradadas é um dos grandes desafios das empresas mineradoras devido à dificuldade de se fazer com que um ambiente retome o bioma original após anos de exploração. O avanço das tecnologias e o maior investimento em pesquisas e soluções ambientais têm ajudado a mudar esse panorama. O trabalho desenvolvido pela Vale no Centro de Pesquisas e Conservação da Biodiversidade do Quadrilátero Ferrífero (CeBio) é prova disso.

Aberto em 2008, o CeBio funciona na Mina Córrego do Meio, desativada em 2005, localizada na cidade de Sabará, Região Metropolitana de Belo Horizonte. O centro, que ocupa uma área de aproximadamente 700 hectares, se destina à pesquisa, conservação e recuperação ambiental.

O centro tem quatro viveiros com capacidade para produzir até um milhão de mudas por ano. Em 2011, serão cultivados cerca de 500 mil exemplares. As mudas são destinadas não somente para áreas exploradas pela mineração, mas para todas as regiões onde a Vale mantém reservas ambientais. Há ainda programas de relacionamento firmados entre a companhia e comunidades que oferecem as plantas gratuitamente.

O CeBio conta com mais de quatro mil matrizes – plantas fornecedoras de sementes – provenientes das áreas de preservação da Vale. O centro foca-se em espécies nativas dos biomas predominantes em Minas Gerais, Cerrado e Mata Atlântica.

REFLORESTAMENTO

O trabalho de recuperação das terras degradadas evoluiu e hoje é implantado antes do exaurimento da área. Mesmo com a mina em funcionamento, setores já desativados entram no radar de reinserção da flora nativa. “Assim que é terminado o trabalho numa área, já começamos os trabalhos de recuperação. O procedimento atual é este”, diz o analista de áreas mineradas e assessor técnico do CeBio, Salim Jordy.

A reabilitação respeita as características antes presentes na região. “Não é possível reproduzir o ambiente exatamente como era, mas com o passar do tempo esta fisionomia pode sim se assemelhar ao máximo à paisagem original”, afirma Jordy.

Seguindo essa lógica, a empresa abandonou a prática de plantar eucaliptos na área da mina. Atualmente, mais de 400 hectares antes dedicados a este modelo de plantio estão sendo transformados em florestas, acrescenta o especialista.

A equipe responsável pelo projeto é formada por 10 funcionários que permanecem nos viveiros e outros 50 colaboradores que percorrem todo o Quadrilátero Ferrífero na coleta de novos exemplares.

CeBio

Aberto em 2008   –   60 funcionários   –   Ocupa uma área de 700 hectares   –   Dispõe de 4.000 matrizes de 200 espécies   –   Meta para 2013 de 10.000 matrizes de 500 espécies   –   Previsão de produção de 500 mil mudas produzidas em 2011   –   Auxilia na preservação de 12 RPPNs no Quadrilátero Ferrífero.

BANCO GENÉTICO

Além da premissa de preservar a biodiversidade local, a ideia é que o CeBio seja também uma ferramenta de conservação genética. Para tanto, a Vale se utiliza do Banco de Germoplasma, espaço onde são cultivadas as matrizes responsáveis por manter as informações genéticas das respectivas espécies.

Depois de selecionadas pelos técnicos do CeBio, as matrizes têm as sementes coletadas, catalogadas e cadastradas. Os objetivos desse processo são a manutenção de um arquivo biológico da flora do Quadrilátero Ferrífero e o desenvolvimento de tecnologias a serem empregadas na recuperação de áreas afetadas pela mineração.

As sementes produzidas são mantidas em uma câmara seca, onde permanecem conservadas e germinadas. Caso necessário, os especialistas do CeBio podem recuperar áreas inteiras mesmo que as plantas originárias tenham desaparecido do ambiente. “Se por acaso tivéssemos um desastre em que toda a área fosse queimada, poderíamos recuperar o ambiente apenas com a utilização das sementes e mudas que temos cadastradas”, afirma Jordy.

Quando o Banco de Germoplasma foi implantado, a estimativa era de que fossem produzidas 10 mil matrizes de 500 espécies da Mata Atlântica e Cerrado em cinco anos. Em dois anos, o cultivo chegou a quatro mil matrizes de 200 espécies.

Até mesmo o adubo consumido é produzido no local. “Para a produção do adubo utilizamos as próprias aparas da mata, além de húmus coletado de um minhocário instalado no CeBio”, destaca Jordy.

As equipes fazem testes nas sementes no campo de coleta, para atestar a qualidade do material genético recolhido.

O CeBio usa um sistema de georreferenciamento, ferramenta fundamental para que o trabalho de replantio seja feito extamente nas áreas de onde foram extraídos os exemplares. O procedimento é um dos trunfos para que a recuperação do ambiente respeite as condições preexistentes, dando à paisagem a aparência que tinha antes da exploração da área.

LÍDER EM PRESERVAÇÃO

Em Minas Gerais, a Vale dispõe do maior número de áreas preservadas no Quadrilátero Ferrífero. Ao todo são 12 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) totalizando cerca de sete mil hectares de áreas protegidas. Nas reservas são feitos trabalhos de conservação da fauna e flora que abrangem várias espécies da Mata Atlântica e do Cerrado, biomas que hoje correm risco.

A legislação vigente no país exige a recuperação da área minerária depois de explorada. Segundo Jordy, a atitude não visa apenas respeitar condicionantes legais. “Além dos projetos de preservação, a empresa atua junto à comunidade para incentivar as pessoas a não degradarem o meio ambiente”, ressalta.

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