Entre o sol e o minério, Brumado, no sudeste da Bahia, resiste guardando a maior jazida de talco do país.

Conhecida como a capital do talco, a cidade de Brumado, situada na região sudeste da Bahia, guarda a maior jazida de talco do país, e também o mais puro. Com pouco mais de dois séculos de vida e poucos habitantes, Brumado tem sua história firmada na mineração e, sob o sol do Nordeste, busca prosperar cada vez mais.

Em seu subsolo encontra-se uma grande quantidade de minérios, sobre os quais a economia e a história do município foram construídas. Atualmente, Brumado acolhe empresas do ramo da mineração, que atuam na região da Serra das Éguas, local que deu origem à cidade e que hoje é um dos pontos turísticos do município.

“Na década de 40, descobriu-se em Brumado o minério de magnesita, que era estratégico na guerra, porque permitia a construção de fornos, e para a indústria cimenteira, para a produção de tijolo refratário, que reveste fornos industriais. Foi aí que o município começou a se desenvolver”, conta o prefeito da cidade, Eduardo Vasconcelos (PSB).

Com o passar do tempo, novos minerais foram descobertos no local, a exemplo da vermiculita – que ainda não é explorada economicamente, mas, segundo o prefeito, tem sido avaliada –, além de pedras preciosas como a ametista. Segundo informações da prefeitura, a atividade minerária local também trabalha com dolomita, cristal de rocha e granitos. Mas é no talco que o município encontra sua maior fonte geradora de recursos. Afinal, o produto é considerado um dos mais puros do país por alguns pesquisadores da área, como explica o prefeito.

“O talco daqui chega a ter 99% de brancura in natura. O talco aqui é de filões, vem junto com o minério da magnesita e é de grande valor agregado, sendo vendido para a produção de itens nobres para fármacos”, diz Vasconcelos. “Toda a economia de Brumado gira em torno disso. Temos o comércio, que tentamos fazer o interposto de serviços entre outras cidades da região, integrando 470 mil pessoas. Brumado tem o comércio mais forte de 20 municípios da região”, complementa.

Um dos moradores locais, Adriano Santos, é professor no município e explica que morar na cidade traz um sentimento “agridoce”, uma vez que é “uma cidade boa e de povo hospitaleiro”, embora viva no dia a dia dificuldades para poder prosperar. “A história de Brumado é um misto de amor e paixão de um lado e de luta por terra de outro. Os desbravadores que chegaram à região foram os responsáveis pela colonização, e, nesse processo, um caso de amor entre dois jovens de famílias opostas. Uma longa história” comenta Santos.

Economia

Mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) de Brumado, ou seja, 51,21% é gerado pela indústria mineradora. É no setor da mineração que está a maior origem de empregos e de riqueza local. O chefe do Executivo local explica que os outros ganchos da economia municipal são a pecuária, com a criação de caprinos e de ovinos, e o comércio. “Já a agricultura é algo quase inexistente, porque o clima é inóspito, e quase não temos chuva. Então, não podemos contar com a água para plantar e cultivar. Temos apenas pequenos agricultores”, informa o prefeito.

Apesar de reconhecer que a atividade mineradora domina a economia da cidade, seguida pelo comércio, o professor Adriano Santos, morador de Brumado, acredita que a cidade passa atualmente por um processo de transição econômica, pois a vocação mineradora começa a dar sinais de que abrirá espaço para outros setores, como o da educação. “Se isso se consumar, a cidade começará a trilhar outro caminho de desenvolvimento”, prevê o professor.

Origem

A secretária de Educação, Lazer, Cultura e Esportes, Edinéia dos Santos Ataíde, conta que, durante o século XVIII, um bandeirante chamado Francisco de Souza Meira, juntamente com seu grupo, saiu do município de Livramento de Nossa Senhora, atravessou o rio Brumado e desbravou territórios até chegar à foz do rio do Antônio.

Ali o grupo se deparou com um território que, reza a lenda, era de índios da tribo Tupinambás, os quais eram agressivos. Os bandeirantes então travaram um combate com a tribo nas terras que se tornaram a sede do município de Brumado. Essa batalha ficou conhecida como a primeira parte da tomada de terra local e ganhou o nome de “Conquista”. Posteriormente, o terreno foi transformado em uma fazenda, nomeada “Serra das Éguas”.

Segundo a história, os índios dali não conseguiram resistir aos ataques do grupo e se dispersaram. A fazenda Serra das Éguas ficava próxima de onde hoje é a cidade. Ao longo dos anos, Brumado então foi se formando, cerca de 10 km abaixo da serra da fazenda. O povoado que ali chegou e fez moradia trabalha com mineração, além de agricultura e pecuária, para se firmar e gerar o que hoje é Brumado.

Curiosidades

Tradicionalmente católica, a cidade conta com três santos padroeiros, e todos eles recebem festas especiais. Vinte de janeiro é dia de São Sebastião, e tem ainda São João e Bom Jesus, ambos homenageados em dia 6 de agosto. “Brincamos por aqui que é a culpa da falta de chuva é da quantidade de padroeiros. Se reza para um, o outro pega o turno, e assim vai”, brinca o prefeito.

Edinéia Ataíde conta que, no período entre 24 de dezembro, véspera de Natal, e 6 de janeiro, Dia de Reis, a tradicional Folia de Reis é um dos momentos marcantes dos festejos em Brumado. Grupos que seguem a tradição visitam bairros e comunidades, levando a alegria da cantiga de roda e relembrando os três Reis Magos.

Além das festas religiosas, Brumado conta também com uma tradição exclusiva do lugar, a chamada “Chula do Pilão”, que ocorre na parte rural da cidade. “A Chula do Pilão é única em todo o mundo, pois, pesquisas feitas pelos moradores da fazenda Jacaré, onde ela nasceu e se mantém viva, apontaram que não há outro lugar no mundo onde ela é praticada”, diz Edinéia.

A secretária explica que a dança se iniciou com a tradição dos moradores do Jacaré de comemorarem os festejos de casamento durante uma semana inteira, sendo três dias na casa da noiva e três na casa do noivo. “As comemorações eram regadas a comidas típicas, sendo que a maioria delas era composta de milho. Enquanto os homens iam pilando o milho para fazer os bolos, os doces e os derivados, canções que retratavam o amor sertanejo eram entoadas. Isso foi há cerca de cem anos”, relata.

O nome Brumado não tem uma origem certa, mas conta com várias versões. Uma delas remete à palavra “Brumo”, que era designada pelos bandeirantes como perda ou engano. Geralmente, era usada para falar da perda ou do desaparecimento do ouro que acreditavam existir no local.

Outra versão para o nome vem de um padre antigo da região, José Dias, que dizia que a origem do nome era da expressão Tupi Itimbopira, que significa “enevoado”, ou “coberto de bruma”, uma vez que, no amanhecer do dia, a cidade seria tomada por brumas.
Outra alternativa que explicaria o nome do município remete ao começo da atividade minerária local, que acontecia às margens do rio Bromado. Ali, os garimpeiros usavam o metal bromo, que é vermelho escuro, para tingir a cor da água e saber o que era ouro e o que não era. Reza a lenda que, quando a água mudava de cor, os ribeirinhos falavam que o rio “bromou”, dando nome ao rio.

 

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