Minas-Rio deve ficar paralisado por pelo menos uma semana

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Sistema Minas-Rio atravessa 33 cidades entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. Na foto, a planta de beneficiamento no município de Conceição do Mato Dentro (MG). Foto: Anglo American/ Divulgação.

Suspensão das atividades foi devido ao rompimento de uma tubulação que provocou o vazamento de 300 toneladas de polpa de minério de ferro.

Após o vazamento de polpa de minério provocado pelo rompimento de uma tubulação dos Minas-Rio nesta segunda-feira (12), a produção no mineroduto teve de ser interrompida. De acordo com informações da agência de notícias Reuters, o CEO da Anglo American, Mark Cutifani, afirmou que a paralisação deve durar pelo menos uma semana. “Minha principal preocupação é com o meio ambiente”, disse durante uma reunião com investidores em Londres, transmitida pela internet.

Segundo nota divulgada pela Anglo American, vazaram 300 toneladas de material, composto 70% por minério e 30% de água. A empresa passou a segunda-feira bombeando apenas água no mineroduto e informou que irá drenar cerca de 1.600 toneladas que ainda estão na tubulação, a serem depositadas em uma bacia de contenção construída pela mineradora. Os reparos na estrutura rompida também já começaram.

Polpa de minério vaza após rompimento de tubulação do sistema Minas-Rio. Foto: Reprodução/ WhatsApp.

Em vídeo divulgado pela Anglo, o presidente da companhia no Brasil, Ruben Fernandes, destacou que a empresa mobilizou todos os recursos necessários para mitigar os efeitos do vazamento, como a distribuição de água à população atingida por meio de caminhões-pipa e uma equipe exclusiva para averiguar o fato.

“Vamos prestar todos os esclarecimentos necessários a população e as autoridades. Quero tranquilizar a todos e ressalto que a Anglo American é uma empresa comprometida com as pessoas, com o meio ambiente e que não medirá esforços para remediar e controlar a situação”, disse.

Presidente da Anglo American no Brasil, Ruben Fernandes, prestou esclarecimentos sobre o vazamento na noite desta segunda-feira (12).

Abastecimento de água

A captação de água segue interrompida no município de Santo Antônio do Grama (MG). De acordo com informações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), o abastecimento da cidade está sendo feito por caminhões-pipa.

Ainda nesta terça-feira (13), a Copasa deve se reunir com equipes da Anglo American para discutir a possibilidade de uma captação alternativa de água para o município.

Em conjunto com a Copasa, a Anglo American informou que iniciará hoje a obra de uma adutora do ribeirão Salgado, com previsão de conclusão de três dias. A obra irá proporcionar uma segunda alternativa de captação de água para Santo Antônio do Grama.

A situação segue sendo acompanhada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). A expectativa da pasta é que a polpa de minério chegasse até a cidade de Rio Casca, a 18,8 km de distância, ainda na noite de segunda.

Porém, segundo a Copasa, ainda não há alteração na água que serve à cidade. “A captação e o abastecimento seguem normalizados até o momento”, informou a companhia em nota divulgada na manhã desta terça-feira (13).

Também nesta terça, a Semad informou que a equipe técnica formada por membros dos setores de Fiscalização e do Núcleo de Emergência Ambiental (NEA) sobrevoou toda a extensão do rio Santo Atônio, até a confluência com o rio Casca. Foi possível verificar que os sedimentos que vazaram do mineroduto percorreram aproximadamente sete quilômetros nos dois cursos d’água.

“Percebeu-se que o material mais pesado se sedimentou no leito do Ribeirão Santo Antônio, passando pela cidade de Santo Antônio do Grama. Já o material mais fino chegou a atingir o Rio Casca, porém bastante diluído”, informou a secretaria, por meio de nota.

Segundo a secretaria, os diagnósticos estão sendo feitos para lavratura dos autos de fiscalização que irão definir penalidades e valor da multa. Outras entidades como Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil e Ibama também acompanham a situação. O Ministério Público Federal também está investigando o caso por meio de inquérito civil público instaurado na segunda-feira.

Ainda segundo a Semad, a Anglo American está monitorando a qualidade da água superficial em dez pontos no ribeirão Santo Antônio, até o rio Casca, abaixo do ponto de captação da Copasa. Também está sendo realizado o acompanhamento dos sedimentos em 30 pontos no córrego Santo Antônio (na Estação Bombas 2 e também no ponto de captação de água da Copasa), passando pelo Rio Casca, até a sua confluência com o Rio Doce.

Atualizada às 14h55.

 

 

 

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