*Por Milton Rego

No começo de maio foi anunciado que o estado da Califórnia aprovou uma nova regulamentação: a partir de 2020, quase todas as novas residências deverão ter painéis solares instalados.

A exigência é uma das ações propostas pelo governador Jerry Brown para reduzir as emissões de carbono – a Califórnia tem como meta diminuir em 40% até 2030. É um modelo para outros estados e para outros países. É também uma grande mudança. O custo das casas deve aumentar em cerca de US$ 10 mil, um valor considerável quando somado ao total, mas que também mostra que a energia solar não é mais um luxo para poucos.

Mais uma vez a Califórnia passa na frente na legislação para a sustentabilidade: casas autossustentáveis, geração de energia residencial descentralizada e uso de fontes renováveis e que sejam menos agressivas ao meio ambiente. Lembro que a produção dos painéis fotovoltaicos, por exemplo, usa materiais como o alumínio, que já pode vir do metal reciclado, e, após seu período útil, retornar à reciclagem.

Há quem diga que, em um estado onde já existem problemas relacionados à moradia – o crescimento de novas residências não acompanha o populacional e, com isso, há uma valorização dos imóveis – impor esse custo para a população aumentaria a inflação no setor. Outros observam a obrigação como uma alternativa às taxas. Sem obrigar as pessoas a instalar o sistema, o governo poderia cobrar por estarem usando outras fontes de energia que são poluentes, como se fosse uma taxa pelo carbono emitido. Essas alternativas poderiam mitigar o problema econômico que a nova medida traz.

No entanto, para alcançar as ambiciosas metas de reduzir em mais da metade as emissões de carbono em dez anos, uma iniciativa de impacto é essencial.

Um painel fotovoltaico tem um período útil de aproximadamente 25 anos. Um cálculo divulgado pelo governo mostra que, em 30 anos de financiamento, o investimento inicial representaria US$ 40 a mais na parcela mensal, mas representaria uma economia de US$ 80 no consumo de energia. No período útil total, seriam economizados US$ 19 mil. É uma conta muito interessante e muito mais atraente que cobrar pelo carbono emitido.

Nos Estados Unidos o custo da instalação de um sistema desses caiu consideravelmente nos últimos anos, de US$ 5,79 por watt em 2010, para US$ 1,54 em 2017.

Esse processo vem acontecendo também no Brasil. Em fevereiro, uma matéria da Época Negócios apontou que, por aqui, o custo para a instalação de um sistema de energia solar caiu 50%.

Pode significar que o sol da Califórnia está ditando tendências? Espero que sim.

 

*Milton Rego é Engenheiro mecânico, economista e bacharel em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Especialista em Gestão pela Fundação Dom Cabral, desde 2014 é o presidente-executivo da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL).

 

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