*Por Milton Rego

Uma cidade inteira teve o seu subsolo abalado pela mineração. E, devido aos riscos de deslocamento do terreno, já começou a ser removida. Cerca de 18 mil habitantes terão as suas casas reconstruídas mais ao leste, cerca de 3 quilômetros do centro original da cidade. A situação vem ao encontro do que as pessoas costumam pensar da mineração: capitalismo desenfreado e predatório.

A cidade em questão poderia ser brasileira, mas está localiza na Suécia, país com IDH de 0,91 (no Brasil, o índice fica em 0,75). Kiruna, no extremo norte do território sueco, já começou a ser deslocada. A empresa de mineração, a estatal LKAB, é a responsável pela logística.

A notícia desafia o senso comum que se tem sobre a atividade da mineração, principalmente nos centros urbanos, distantes das minas, com sua população “informada” e, em geral, desconfiada do capital – em especial, o estrangeiro. São todos mal intencionados, que só querem levar vantagem. O resultado é que o Brasil tem perdido investimentos em mineração para países desenvolvidos, como Canadá e Austrália.

Este texto é uma provocação. Precisamos ter, como sociedade, uma forma madura de nos relacionarmos com a mineração. A exploração da bauxita, o minério que dá origem ao alumínio, segue padrões internacionais de sustentabilidade no Brasil. As empresas filiadas à Associação Brasileira do Alumínio (Abal) adotam sistemas de gestão ambiental que garantem o cumprimento da legislação específica do setor e que vão além.

Características próprias das nossas reservas de bauxita, como a localização próxima ao solo e seu teor de óxido de alumínio, garantem uma mineração e um beneficiamento de menor impacto. Isso, aliado à técnicas de recuperação do solo e de preservação das espécies nativas levado a cabo pelas empresas, permite a restauração do relevo e da biodiversidade originais das áreas que serviram à mineração. Uma vez recuperadas, a produtividade agrícola dessas terras chega, inclusive, a crescer.

Não há, portanto, mais espaço para uma mentalidade de colonizado. O Brasil recebeu um presente, que é o seu subsolo. Saber utilizá-lo adequadamente e torná-lo uma ferramenta de desenvolvimento, é tarefa de todos nós.

 

*Milton Rego é Engenheiro mecânico, economista e bacharel em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Especialista em Gestão pela Fundação Dom Cabral, desde 2014 é o presidente-executivo da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL).

 

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Ass. Brasileira do Alumínio
A Associação Brasileira do Alumínio – ABAL foi fundada em 15 de maio de 1970 pela Alcan Alumínio do Brasil Ltda, Alcominas (atual Alcoa Alumínio S.A.) e Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), empresas produtoras de alumínio primário, além das transformadoras Aisa Alumínio Indústria Ltda, Asa Alumínio S.A. Extrusão e Laminação e Kaiser Alumínio do Brasil S.A. A empresa Aisa foi incorporada, no início da década de 80, pela Alcoa Alumínio S.A. Instalou-se então um foro comum para a discussão dos assuntos pertinentes à indústria do alumínio, visando a conciliação de interesses entre produtores e transformadores, a ampliação da representatividade do setor junto ao governo e à comunidade ligada a essa indústria.

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