Governador de Minas diz que mineração precisa ser repensada

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Governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Foto: Sebastião Jacinto Júnior/ Fiemg.

Romeu Zema destacou relevância da atividade para o Estado e para o país. Fala foi durante o ‘Seminário Técnico Internacional sobre Barragens de Rejeitos e o Futuro da Mineração em Minas Gerais’

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, disse que “a mineração precisa ser repensada” e que seu papel é muito relevante para o Brasil e Minas Gerais. Em Minas, citou, ela é responsável por 40% das exportações, representa 25% das indústrias e responde por 5% da economia estadual. A fala foi nesta quarta-feira, durante o ‘Seminário Técnico Internacional sobre Barragens de Rejeitos e o Futuro da Mineração em Minas Gerais’, na Fundação Dom Cabral, em Nova Lima (MG).

“Estamos na chamada era pós-tragédia em Minas Gerais, após os eventos em Mariana e em Brumadinho(…) o setor mineral passa por um processo de demonização”, afirmou. “Neste evento iniciamos uma nova era em nosso estado. Não podemos mais conviver com tragédias dessa natureza porque existem tecnologias e recursos capazes de viabilizar o setor, de forma que continue operando sem esses tipos de fatos”, completou Zema.

Segundo o governador, “a indústria da mineração tem oportunidade para mostrar que pode se reerguer e também que há processos seguros. É o que queremos”. Romeu Zema disse também que mudanças na legislação estadual foram feitas rapidamente para oferecer mais segurança nas atividades da indústria da mineração. Mas ele advertiu que é preciso não exagerar no excesso de regulamentação. “Não é assim que se corrige os problemas”, disse.

Em entrevista à imprensa, o presidente do Conselho diretor do Ibram, Wilson Brumer, concordou com Zema. Disse que o Ibram defende mudanças no atual modelo de mineração que aperfeiçoem os processos produtivos e a gestão, mas que não inibam a atividade.

As recentes alterações nos regramentos legais relacionados ao setor levaram segmentos, como o de fertilizantes, a uma situação de paralisia parcial de produção. Neste caso, podem vir a ocorrer reflexos negativos na produção de alimentos, informou.

Segundo Brumer, é preciso lamentar profundamente o que aconteceu em relação aos dois rompimentos de barragens e “tudo o que precisar ser feito para aprimorar a indústria da mineração será feito”, desde que não haja empecilhos ao desenvolvimento da mineração.

A organização do ‘Seminário Técnico Internacional sobre Barragens de Rejeitos e o Futuro da Mineração em Minas Gerais’ é do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), com o apoio do Governo do Estado de Minas Gerais, da Fundação Dom Cabral e da Federação das Indústria de Minas Gerais (FIEMG).

Riscos de barragens

Durante o evento, especialistas também discutiram sobre as barragens de mineração. Segundo especialistas, essas estruturas estão sujeitas a riscos, como qualquer outra construída pela engenharia. O desafio é minimizar esses riscos, analisar todos os aspectos relacionados à gestão para aperfeiçoar essas estruturas ao longo de sua existência.

Um dos palestrantes foi o representante da Associação de Mineração do Canadá (MAC), Charles Dumaresq. Ele apresentou ações que a instituição colocou em prática para melhorar a gestão de barragens por seus integrantes. Além de adotar a metodologia do Towards Sustainable Mining (TSM), o MAC editou guias para a gestão de barragens, que já está em sua terceira edição e disponíveis para download (a versão em português foi produzida em articulação com o Ibram).

Sobre o TSM, Demaresq informou que Argentina, Filipinas e Espanha foram os países que adotaram o TSM mais recentemente.

Também participaram deste painel: Bernardo Sayão (PUC-Rio), Paulo Teixeira Cruz (Universidade de São Paulo) e Suzanne Lacasse (Norwegian Geotechnical Institute).

Novo padrão internacional para barragens

No último painel, o diretor executivo do Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM), Tom Butler, anunciou que espera divulgar ainda em 2019 um padrão mínimo internacional para a gestão de barragens de rejeitos minerais.

O conteúdo do documento está em formulação por um amplo grupo de multistakeholders, formado por comunidades, governos, investidores, indústrias, organizações multilatetais.

Com informações do Ibram.

 

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