Início Editorias Meio Ambiente MPF recomenda indeferir licença de exploração no rio Amazonas

MPF recomenda indeferir licença de exploração no rio Amazonas

Corais da Amazônia na foz do Rio Amazonas, no Amapá. Foto: Grennpeace/ Divulgação.

Área requerida pela Total fica sob recife de corais recém-descoberto na foz do curso d’água.

O Ministério Público Federal (MPF) no Amapá recomendou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) indeferir a licença para exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, solicitada pela Total E&P do Brasil. De acordo com comunicado emitido pelo MPF, o órgão considera insuficiente o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) na região onde foram identificados recifes de corais e ecossistema ainda desconhecido.

“Para o MPF, a liberação de atividades petrolíferas, sem estudo adequado, viola compromissos internacionais firmados pelo Brasil, a exemplo da Agenda 21 – programa de ações para o desenvolvimento sustentável resultante da ECO 92. Na recomendação, o MPF alerta que liberar o empreendimento pode resultar na destruição em larga escala do meio ambiente, configurando ecocídio – crime contra a humanidade sujeito à jurisdição do Tribunal Penal Internacional”, informou o órgão.

Neste caso, o MPF defende a aplicação dos princípios da prevenção e da precaução. Por isso, o Ministério entende que o único modo de se evitar danos ambientais na área é negando o licenciamento, reforçando a necessidade de prosseguir com os estudos iniciados para identificar o ecossistema da região.

Trajetória

O MPF investiga irregularidades no EIA apresentado pela empresa desde 2016. No ano passado, o órgão orientou ao Ibama rever o processo de licenciamento. A entidade ambiental, então, determinou à Total que fossem refeitos documentos anteriormente apresentados pela empresa e readequados os estudos necessários ao licenciamento.

No entanto, os esclarecimentos da companhia não foram capazes de demonstrar a segurança do empreendimento petrolífero na região. A própria Total confirmou que, caso ocorra vazamento, este poderia afetar o ambiente marinho, físico e biótico, de países vizinhos ao Brasil.

“O MPF concedeu dez dias de prazo para o Ibama informar o acatamento ou não da recomendação. Caso não atenda, serão adotadas as medidas judiciais cabíveis”, informou, na nota.

Corais da Amazônia

O recife de corais de cerca de mil quilômetros de extensão na foz do rio Amazonas foi revelado por pesquisadores em 2016. A descrição da barreira de corais indica a existência de ecossistema ainda não encontrado no planeta.

Como as descobertas são recentes, não existem pesquisas científicas suficientes sobre o recife. Por isso, o MPF reforça a necessidade de estudo ambiental para exploração de petróleo próximo à área de recifes, de modo que não haja impactos ambientais no local.