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Vale anuncia descomissionamento de 10 barragens em MG

Anúncio foi feito quatro dias após rompimento da barragem da empresa em Brumadinho (MG), no dia 25 de janeiro. Foto: CBMMG.

Estruturas que serão eliminadas foram construídas pelo mesmo método da que se rompeu em Brumadinho.

A Vale anunciou o descomissionamento de 10 barragens em Minas Gerais, todas construídas pelo método de alteamento a montante. Na prática, isso significa “acabar” com essas estruturas e recompor o meio ambiente local. O método é o mesmo utilizado pela barragem que se rompeu em Brumadinho e é considerado por especialistas como o mais barato, porém, menos seguro. O plano deve ser apresentado aos órgãos federais e estaduais até a primeira quinzena de março.

Segundo a mineradora, as 10 barragens se encontram inativas e apresentam laudos de estabilidade emitidos por empresas externas. Para isso, serão investidos em torno de R$ 5 bilhões no processo que deve ocorrer ao longo dos próximos três anos.
Para a realização de descomissionamento a montante com segurança e agilidade, a Vale irá paralisar temporariamente a produção das unidades onde as estruturas estão localizadas.

São elas: Abóboras, Vargem Grande, Capitão do Mato e Tamanduá, no complexo Vargem Grande, e as operações de Jangada, Fábrica, Segredo, João Pereira e Alto Bandeira, no complexo Paraopebas, incluindo também a paralisação das plantas de pelotização de Fábrica e Vargem Grande.

“As operações nas unidades paralisadas serão retomadas à medida que forem concluídos os descomissionamentos”, informou a mineradora, por meio de nota.

Os impactos na produção da mineradora devem ser na ordem de 40 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano, incluindo neste número o pellet feed necessário para a produção de 11 milhões de toneladas de pelotas. O impacto será compensado através do aumento de produção em outros sistemas produtivos da companhia, segundo a empresa.

“A expectativa da Vale é de reaproveitar todos seus colaboradores atualmente lotados nas operações que serão paralisadas”, disse, em nota.

Processo desde 2016

Ainda conforme a empresa, a decisão de descomissionar barragens a montante em Minas foi tomada em 2016, após o rompimento da barragem da Samarco em novembro de 2015, que ocasionou 19 mortes e danos graves ao meio ambiente.

Até o final de 2018, de um total de 19 barragens, nove já haviam sido descomissionadas, restando 10. Após o evento de Brumadinho, a Vale decidiu acelerar esse processo.

Queda na arrecadação

De acordo com informações do governo de Minas, o fechamento dessas operações vai provocar uma diminuição de cerca de 30% na arrecadação de tributos estaduais do setor de mineração. A estimativa da Secretaria de Estado de Fazenda é que o impacto anual seja de, aproximadamente, R$ 220 milhões.

Já em relação à Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), a redução anual será de cerca de R$ 79 milhões.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente publicou resolução, no dia 30 de janeiro, desautorizando todas as barragens de mineração em Minas, alteadas a montante. A medida vale tanto para as empresas que já usam o método, quanto para as que planejam a implantação deste.