China intensifica medidas para conter alta das commodities

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Foto: Divulgação/ Asia Metals.

Estatais chinesas receberam ordens da Comissão de Administração e Supervisão de Ativos para controlar riscos e limitar a exposição aos mercados.

A China intensificou os esforços para conter a cotação das commodities e a especulação, tentando reduzir a ameaça que a alta de preços das matérias-primas representa para a recuperação econômica após a pandemia.

As empresas estatais receberam ordens da Comissão de Administração e Supervisão de Ativos para controlar riscos e limitar a exposição aos mercados internacionais de commodities, de acordo com fontes relacionadas ao assunto. A comissão solicitou que as companhias informem suas posições em contratos futuros, disseram as fontes, que pediram anonimato porque a informação é confidencial.

Paralelamente, a Administração Nacional de Reservas Estratégicas e de Alimentos em breve fará a liberação de metais estocados, incluindo cobre, alumínio e zinco, conforme comunicado divulgado nesta quarta-feira (16/06). Os metais serão vendidos em lotes para fábricas, afirmou a agência, sem revelar os volumes que serão liberados.

Os preços dos metais recuaram em Londres e Xangai e a cotação do minério de ferro cedeu na bolsa de Singapura. Ações de empresas de metais na China e em Hong Kong caíram. No mercado australiano, o subíndice de metais e mineração sofreu a maior queda em quase um mês. As ações europeias também recuaram. Rio Tinto, BHP Group e ArcelorMittal perderam pelo menos 0,8%.

“Faz anos que não vemos o país liberando reservas estatais”, disse Jia Zheng, operador de commodities na Shanghai Dongwu Jiuying Investment Management. “Isso impulsionará a oferta no curto prazo, enviando um sinal de baixa para o mercado.”

Já a verificação das posições no mercado internacional de commodities visa “conter a especulação excessiva porque os preços estão superaquecidos e podem trazer riscos para as estatais”, acrescentou Jia.

A alta nos preços das commodities aumenta preocupações na China com o repasse de custos pelas fábricas para os consumidores, prejudicando a economia. As autoridades estão especialmente atentas ao papel dos especuladores.

No entanto, o Goldman Sachs Group afirmou no mês passado que esses esforços provavelmente serão em vão, já que a China deixou de ser o comprador que determina os preços. Segundo o banco, a queda de preços é uma clara oportunidade de compra.

A China não publica informações sobre os volumes armazenados nas reservas estatais, mas o governo discretamente estoca commodities para proteger a economia de aumentos acentuados nos preços. As reservas podem ser liberadas em emergências, como quando ocorreu a venda de carne suína para diminuir as preocupações com a inflação.

 

Por Bloomberg.

 

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