Projeto quer ampliar espaço das mulheres nas carvoarias mineiras

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Mulheres nas carvoarias - Foto: Divulgação / Carvoeir@s Sem Fronteiras.

Projeto Siderurgia Sustentável incentiva o treinamento de mulheres para atuarem na produção do carvão vegetal.

Reduzir a desigualdade de gênero na produção de carvão vegetal, setor historicamente dominado por homens, é mais um objetivo da equipe Carvoeir@s sem Fronteiras, missão que tem o apoio do Projeto Siderurgia Sustentável (SidSus), executado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Minas Gerais e com o apoio técnico do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

A organizadora da Carvoeir@s Sem Fronteiras, Nivia Vieira, explica que o o SidSus solicitou a inserção e a qualificação de mulheres para o aumento da produção e redução das emissões nas carvoarias. “Imediatamente, acatamos a proposta do projeto, que veio de encontro à nossa política institucional de contribuir para que as carvoarias sejam lugares melhores. No nosso caso, a missão é realmente desafiadora porque o setor siderúrgico é um dos mais refratários à mão de obra feminina”, explica.

A igualdade de gênero é um dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Estima-se que apenas 2% dos cargos no setor siderúrgico são ocupados por mulheres. Na produção de carvão vegetal, praticamente, inexistem mulheres exercendo a atividade de carbonizar, a mais estratégica e bem remunerada em uma carvoaria, porque é através dessa função que os fornos são controlados e o carvão vegetal produzido. “Estamos dando preferência ao recrutamento de mulheres para atuarem no projeto como protagonistas da produção de carvão vegetal”, afirma.

Mais escolarizadas e interessadas em novos conhecimentos comparadas aos antigos carbonizadores, as mulheres que passaram a comandar os fornos usando o computador, rapidamente assimilaram o novo processo, o qual consiste em manter a temperatura do processo de carbonização controlada, segundo as orientações de um programa chamado Carboraad, desenvolvido pelo engenheiro mineiro Tulio Raad.

Luciana Frazão foi contratada pelo projeto para aprender a usar o programa, atuando, na prática, em uma carvoaria de fornos circulares, em João Pinheiro (MG). “Tiro a temperatura exata do forno, dando a opção de controlá-lo”, explica. Samara Souza, por sua vez, foi recrutada para trabalhar em uma carvoaria de Santa Fé de Minas: “É uma ferramenta que trouxe melhoria na carbonização e qualidade do carvão vegetal”, opina.

Além de Luciana e Samara, outras seis mulheres participaram do projeto e as fornadas controladas por elas, através do computador, produziram mais carvão vegetal. Os resultados ainda estão sendo analisados mas, em média, o rendimento inicial de 29% de conversão de madeira em carvão vegetal passou para 33%, com as mulheres e o computador no comando dos fornos de produção de carvão vegetal em Minas Gerais.

Carvoeir@s Sem Fronteiras

As Carvoeir@s Sem Fronteiras desenvolvem projetos de adequação técnica, ambiental e social em carvoarias e foram selecionados pelo PNUD, através de edital, para aumentar o rendimento dos fornos de produção de carvão vegetal e, em consequência, reduzir as emissões resultantes do processo de carbonização.

Quanto mais madeira é convertida em carvão vegetal, menos fumaça é emitida, inclusive metano, gás de efeito estufa produzido no processo de carbonização. Redução de emissões de gases de efeito estufa é o principal objetivo do projeto SidSus que tem apoio financeiro do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima – Fundo Clima.

O aumento do rendimento e a redução das emissões nas carvoarias são obtidos com o uso de um programa de computador que substitui a forma tradicional de produzir carvão vegetal, baseada na observação da cor, volume e cheiro da fumaça emitida pelos fornos. Os resultados positivos já eram esperados pelas Carvoeir@s, por causa da experiência em outros projetos.

Projeto Siderurgia Sustentável

O Projeto Siderurgia Sustentável foi criado para incentivar a redução das emissões de gases de efeito estufa na siderurgia brasileira. A iniciativa é implementada pelo PNUD com coordenação técnica do Ministério do Meio Ambiente, tendo ainda apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), do Ministério da Economia (ME) e do Governo de Minas Gerais. Os recursos do Projeto são do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

Para atingir seu objetivo, o projeto busca o desenvolvimento e a demonstração de tecnologias e processos sustentáveis para a produção e o uso de carvão vegetal na indústria de aço, ferro-gusa e ferroligas. O carvão vegetal, além de ser utilizado como agente termorredutor por 20% das siderúrgicas, possibilita o aproveitamento de coprodutos, como o bio-óleo, reduz a geração de resíduos, cria empregos e diversifica a produção no setor rural. O projeto será concluído em 2021.

Como parte da Agenda 2030 das Nações Unidas, suas atividades se alinham aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os resultados contribuirão de maneira efetiva para o ODS 7 – Energia Limpa e Acessível; ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico; ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura; ODS 12 – Consumo e Produção Sustentáveis; e ODS 13 – Ação contra a Mudança do Clima.

 

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