Início Editorias Política Mineral Amig reforça necessidade de investimentos na ANM para frear garimpo ilegal

Amig reforça necessidade de investimentos na ANM para frear garimpo ilegal

Fragilidade na fiscalização tem permitido o crescimento exponencial da atividade criminosa

Crédito: Divulgação Amig

O crescimento do garimpo ilegal no país e os impactos que essa atividade causa ao meio ambiente e à sociedade acendem um sinal de alerta para a Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig).

Para a associação, a ausência de fiscalização e ações efetivas para coibir essas práticas faz com que a Amazônia se torne um território cada vez mais vulnerável à exploração predatória.

“O garimpo ilegal configura crime de usurpação de bens minerais pertencentes à União, além de uma série de infrações ambientais e sociais. No entanto, entra governo e sai governo, e nada é feito para combater esse problema de forma estrutural”, afirma o presidente da Amig, Marco Antônio Lage.

A Amig alerta especificamente sobre a necessidade de reestruturação da Agência Nacional de Mineração (ANM), órgão responsável pela fiscalização e regulamentação do setor mineral. A agência deveria contar com mais de 2 mil servidores para dar conta da demanda nacional, mas atualmente opera com apenas 644 funcionários, um déficit de quase 69%.

De acordo com a Amig, essa fragilidade na fiscalização tem permitido o crescimento desenfreado do garimpo ilegal. No município de Calçoene, no Pará, imagens de satélite apontam um aumento de 174% na área afetada pela atividade entre 2020 e 2023. No Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, a extração ilegal cresceu 304% em apenas um ano, destruindo uma área equivalente a mais de 170 campos de futebol.

A falta de fiscalização, no entanto, não impacta apenas o avanço do garimpo ilegal, mas também a segurança ambiental de minas abandonadas ou sem atividades. A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), órgão do governo de Minas Gerais, identificou cerca de 400 minas abandonadas ou desativadas no estado, muitas delas sem qualquer monitoramento adequado.

A Amig destaca a ameaça ambiental e social desta atividade criminosa e mostra que as terras indígenas são as mais afetadas, sendo 62% das áreas com menos de cinco anos de exploração ilegal localizadas nesses territórios, violando direitos garantidos pela Constituição Federal.

Os povos Kayapó, Munduruku e Yanomami são os mais impactados, enfrentando um cenário de degradação ambiental, contaminação de rios por mercúrio e doenças trazidas pelos invasores.

Além dos impactos à saúde e ao meio ambiente, o garimpo ilegal alimenta redes criminosas ligadas ao tráfico de drogas, à exploração de trabalho escravo e à violência contra comunidades tradicionais.

Três casos específicos preocupam as autoridades e especialistas: as minas da Mundo Mineração, Minar Mineração e Topázio Imperial Mineração. Segundo o professor Carlos Martinez, da Universidade Federal de Itajubá.

“A falta de fiscalização e de estrutura para lidar com o passivo da mineração pode gerar um desastre ambiental e social de grandes proporções. Muitas dessas mineradoras sequer existem mais, mas os impactos deixados por elas continuam. Quando a conta chegar, quem irá pagar?”, questiona o presidente da Amig.

Diante desse cenário, a Amig reforça a necessidade de investimentos urgentes na estrutura da ANM para evitar que crimes ambientais e o abandono de minas sem monitoramento.

A associação alerta ainda que a falta de ações diante do avanço do garimpo ilegal e a precarização da fiscalização colocam o Brasil em uma posição de risco não apenas ambiental, mas também diplomático, diante dos compromissos internacionais assumidos pelo país para a preservação da Amazônia e a redução do desmatamento.

“Seguiremos cobrando ações efetivas do governo e das autoridades competentes para estruturar a fiscalização mineral no Brasil. O país não pode mais fechar os olhos para um problema que cresce de forma descontrolada, trazendo consequências irreversíveis para o meio ambiente e para a sociedade”, destaca Marco Antônio Lage.

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