
A Anglo American conquistou uma patente internacional com o desenvolvimento de uma tecnologia inédita voltada ao monitoramento do desgaste interno de moinhos verticais utilizados no Sistema Minas-Rio, em Conceição do Mato Dentro (MG). O método permite acompanhar a condição dos revestimentos sem a necessidade de interromper a operação, trazendo ganhos em segurança, produtividade e disponibilidade dos equipamentos.
A solução foi criada integralmente por equipes da operação de minério de ferro da companhia e utiliza termografia para analisar padrões de temperatura na parte externa dos moinhos. Com isso, os engenheiros conseguem estimar o desgaste interno dos revestimentos sem abrir o equipamento, procedimento que antes demandava longas paradas operacionais.
Segundo a mineradora, o desafio surgiu porque não existia no mercado uma técnica considerada confiável para monitorar o desgaste dos revestimentos internos dos moinhos Vertimill em funcionamento. Até então, a inspeção exigia a interrupção das atividades por mais de 24 horas para abertura, limpeza e esvaziamento do equipamento.
“A única forma disponível exigia abrir o equipamento, esvaziar, limpar e interromper a operação por mais de 24 horas, além de expor as pessoas a riscos. A alternativa foi desenvolver nossa própria solução”, afirmou Marlon Fábio Lino, engenheiro de Manutenção Elétrica da Anglo American.
A tecnologia transforma a carcaça do moinho em uma espécie de “termômetro inteligente”. Com câmeras termográficas de alta resolução e critérios próprios de interpretação térmica, a equipe passou a correlacionar o calor externo com o desgaste interno das peças.
De acordo com Mauro Alberto Rossi, engenheiro de Manutenção da empresa, o diferencial está justamente na lógica de análise criada pela equipe. “Não se trata apenas de medir temperatura, mas de interpretar o que esse calor revela sobre o desgaste das peças. Essa lógica de análise é única no mundo”, destacou.
O projeto levou cerca de sete anos entre os primeiros estudos e a concessão da patente pelo United States Patent and Trademark Office (USPTO), órgão norte-americano responsável pelo registro de patentes e marcas.
Os estudos realizados pela companhia apontam que a tecnologia pode reduzir em 22% as trocas anuais de revestimentos, além de aumentar a disponibilidade operacional dos moinhos e diminuir significativamente a exposição dos trabalhadores a riscos durante inspeções.
Além do registro nos Estados Unidos, a Anglo American informou que já possui pedidos de patente em andamento em outros sete países. “Essa patente reconhece que a engenharia brasileira da Anglo American é capaz de gerar ativos intelectuais com valor global”, afirmou Kellson Takenaka Menezes, coordenador de Manutenção Preditiva da mineradora.
A empresa informou ainda que o método está em fase de automação e poderá ser aplicado em outras operações do grupo.
Para Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil, a conquista reforça o posicionamento da companhia em inovação no setor mineral. “Mais do que um marco em propriedade intelectual, a conquista reforça o posicionamento da Anglo American como referência em inovação aplicada à mineração, aliando segurança, eficiência e excelência operacional”, declarou.









