Apresentação do plano de trabalho da mineradora canadense - Foto: Ésio Mendes / Governo de Rondônia.

Com a iniciativa da empresa canadense, Rondônia passará a ser o primeiro Estado da América Latina com indústria de terras raras.

A empresa canadense de mineração Canadá Rare Earth Corporation (CREC) anunciou na última terça-feira (29), em cerimônia na sede do Governo de Rondônia, que a instalação do empreendimento no município de Ariquemes terá um investimento de R$ 1,5 bilhão e deve gerar cerca de 300 empregos diretos e mais 4,5 mil indiretos. Rondônia passará a ser o primeiro Estado da América Latina com indústria de terras raras, substâncias químicas usadas na produção de diversos itens.

A empresa tem sede em Vancouver, no Canadá, e atua há 35 anos no segmento de exploração de minério. Em Rondônia, a empresa pretende fazer o aproveitamento sustentável de terras raras a partir do rejeito do garimpo Bom Futuro.

Sustentabilidade

“O lixo vai virar riqueza em Rondônia, pois o trabalho da empresa se dará em uma área que estava degradada, fazendo com que aquilo que era rejeito se transforme em diversos produtos, operando dentro daquilo que é permitido ambientalmente, o que vai gerar oportunidades de trabalho e mais desenvolvimento para Rondônia. Já somos o 4º Estado com menor índice de desemprego, e vamos avançar mais na geração de empregos. A instalação do empreendimento é lucro para Rondônia, é lucro para a Amazônia e para o país”, afirma o governador Marcos Rocha.

O diretor operacional da CREC, Peter Shering, agradeceu pela oportunidade de instalar um negócio em Rondônia e por ter encontrado no Estado pessoas que acreditaram neste projeto de aproveitamento de terras raras a partir de rejeitos. “Trazer uma indústria de terras raras vai gerar ao Estado o desenvolvimento de tecnologias não muito comum no mundo, mas muito necessárias em escala global. Uma vez que começar a operação, outras indústrias serão atraídas a se instalar aqui devido às tecnologias que iremos desenvolver. Assim a indústria funcionará como uma multiplicadora para gerar impacto positivo em Rondônia”, pontuou o executivo.

Desenvolvimento

Peter Shering destacou ainda que a empresa irá utilizar tecnologias verdes em suas atividades. A empresa já passou pelos trâmites legais dentro da pasta ambiental do Estado, e o diretor executivo da CREC, Dorival Carvalho Pinto, acrescentou que a operação será monitorada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), que adota regras rígidas, garantindo assim toda a segurança do trabalho desenvolvido.

Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Sérgio Gonçalves, “todo o Estado receberá o impacto econômico positivo com a chegada da indústria, pois haverá uma movimentação logística e de fornecedores. Além disso, ela irá reverter a situação de uma área degradada, gerará produtos a partir do que é lixo, e irá funcionar como um imã para atração de outros empreendimentos”.

Plano de trabalho

Durante a apresentação do plano de trabalho, Dorival Carvalho, evidenciou o motivo do Estado de Rondônia ter sido a escolha da empresa para instalação da indústria. “É um prazer para a empresa participar do desenvolvimento de Rondônia e encontrar no Estado a oportunidade de instalar essa indústria. O futuro da tecnologia baseia-se principalmente em terras raras. Sem terras raras não tem aparelho celular, não tem TV a cores, não tem equipamentos médicos e nada elétrico. E o nosso foco na América do Sul é Rondônia, pois foi o Estado que destacou-se nos parâmetros avaliados”, disse.

Para chegar até a escolha de Rondônia, a empresa estudou sete estados (Amazonas, Pará, Mato Grosso, Tocantins, Bahia e Minas Gerais, além de Rondônia) que tinham possibilidade de serem selecionados para esse grande empreendimento. Cada Estado foi avaliado em diversos parâmetros, e Rondônia foi a selecionada.

Além disso, os projetos futuros desenvolvidos no Brasil foram considerados, principalmente o da construção da ferrovia transcontinental, pois Rondônia entra na rota e assim pode oferecer o escoamento de produção de forma mais barata e estratégica para alcançar o grande mercado da China pelo Pacífico. “Só existem duas plantas industriais no continente americano, uma na Califórnia, e a outra será em Rondônia. O Estado será um provedor de terras raras”, destaca o diretor executivo da CREC.

 

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