O faturamento da indústria da mineração no 1° trimestre de 2024 (1T24) cresceu 25% em comparação com o mesmo período do ano anterior, passando de R$ 54,6 bilhões para R$ 68 bilhões.

Segundo dados apurados pela pesquisa setorial do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e divulgados pelo diretor-presidente, Raul Jungmann, nesta quinta-feira (5), o minério de ferro respondeu por 64,2% do total (R$ 43,9 bilhões).

O resultado positivo foi registrado após leve queda em 2023 em relação ao ano anterior.

Jungmann ressaltou que a mineração foi o setor que mais contribuiu para o saldo da balança comercial brasileira ter se situado em US$ 19,08 bilhões no primeiro trimestre do ano.

“Apesar dos muitos obstáculos à competitividade, à previsibilidade, à segurança jurídica a indústria da mineração responde com resultados cada vez mais surpreendentes. São dados que se transformam em benefícios socioeconômicos para os brasileiros” disse.

Ele lembrou que um exemplo de reflexo positivo da mineração para o Brasil é o saldo da balança comercial de minérios (diferença entre exportações e importações) no 1T24, que foi de US$ 8,9 bilhões, 41% a mais do que no 1T23 (US$ 6,32 bilhões). Isso significa que o saldo mineral equivale a 47% do saldo comercial brasileiro no 1T24.

Obstáculos para a mineração

No entanto, o diretor-presidente do Ibram afirmou que, “nem todos enxergam os muitos benefícios do setor mineral, tanto que nota-se um esforço na direção errada, a de prejudicar ao invés de estimular esta indústria”, comentou.

O dirigente se refere a diversas iniciativas que causam ou têm potencial para proporcionar enormes prejuízos à indústria mineral, tais como: criação de taxas supostamente para fiscalizar a atividade por estados e municípios; novo Imposto Seletivo de 1% a incidir sobre a mineração e fundos estaduais para incidir sobre mineração e outros setores exportadores, previstos na reforma tributária; projetos de lei na Câmara e no Senado, tramitando aceleradamente, sem a necessária discussão, que expandem o garimpo – com margem para esse movimento beneficiar inclusive a prática ilegal – até mesmo sobre áreas já concedidas para mineradoras e em áreas de conservação.

A preocupação do Ibram é que estes projetos pró-garimpo possam prosperar no Parlamento, justamente em um ano eleitoral nos municípios, “que serão grandes prejudicados pelo potencial destrutivo, a partir do momento em que se criam facilidades para a implantação de garimpos, sem que o poder público tenha mínimas condições de exercer fiscalização e controle absolutos”, afirmou Raul Jungmann.

Para ele, se forem aprovados como estão, os projetos podem dar origem a várias ‘Serras Peladas’ pelo país – uma alusão ao megagarimpo que foi implantado na Amazônia, repleto de histórias trágicas e gerador de um enorme passivo ambiental.

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