Em entrevista sobre o balanço das ações já realizadas pelo Sindicato das Indústrias Minerais do Pará, o presidente da instituição, José Fernando Gomes Júnior, destaca a maior participação da sociedade e prevê um futuro promissor para a mineração no Estado.

Prestes a completar dez anos, o Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral) faz um balanço, na voz de seu presidente, José Fernando Gomes Júnior, das atividades realizadas nesse período, do comportamento do mercado da mineração em tempos de crise e de suas expectativas para o futuro do setor, que ele vê como muito promissor.

À frente da entidade desde 2014, José Fernando destaca o Plano 2030 como uma das ações de maior resultado já executadas pelo Simineral. Conforme ele detalha na entrevista, por meio do planejamento estratégico, estabeleceu-se um elo importante entre a mineração do Estado do Pará e a sociedade. Sobre o S11D, maior projeto de produção de minério de ferro da Vale atualmente no Brasil – inaugurado, em dezembro, na cidade de Canaã dos Carajás, no Pará (veja mais detalhes na matéria sobre a inauguração nesta edição) –, José Fernando tem perspectivas bastante positivas: ele acredita que o boom de sua produção vá acontecer entre 2018 e 2022, podendo ultrapassar Minas Gerais.

O presidente da Simineral enfatiza que se trata de uma obra moderna e sustentável e que, quando entrar em operação, será um marco na mineração brasileira. Hoje em dia, de acordo com José Fernando, 85% da exportação no Pará é de minério, e o setor representa quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, gerando mais de 290 mil empregos diretos e indiretos. A estimativa é que, com a operação do S11D, outros 90 mil colaboradores sejam demandados até 2021. O investimento na planta, segundo ele, será de US$ 29,3 bilhões. Portanto, as expectativas de crescimento do segmento e, consequen- temente, da economia do Estado Pará são as melhores possíveis.

 

Mineração & Sustentabilidade: Em janeiro, o Simineral completará dez anos. Quais os destaques da atuação da entidade nesse período?

José Fernando Gomes Júnior:  Acho que o maior destaque nesse tempo é justamente o planejamento estratégico que fizemos até 2030, no qual colocamos um elo muito importante. A mineração no Pará sempre fez ações para mineradores e, quando assumimos, nós nos aproximamos da sociedade para mostrar o que a mineração faz. E a sociedade faz parte de tudo o que fazemos, sejam eventos, sejam feiras ou prêmios, sempre com o objetivo de construir um Estado melhor para todos.

M&S  Como foi a evolução da mineração do Pará nos últimos anos?

JFGJ  A mineração vem numa constante evolução no Brasil, mas, no Pará, o setor tem crescido muito em todos os quatro cantos. Onde a mineração é realizada no Estado, você tem uma marca muito forte. Os municípios mineradores possuem o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Pará. Destacam-se também a contribuição das mineradoras, a sustentabilidade, o respeito ao meio ambiente e a formação e a capacitação de mão de obra local. Nas empresas filiadas ao Simineral, em média 80% da mão de obra é local. Além disso, as compras feitas pelas empresas instaladas no município movimentam a economia. Isso é uma contribuição muito forte do segmento minerário, que vem avançando a cada ano.

M&S  Quais as expectativas do Simineral para a próxima década?

JFGJ  Sou um otimista por excelência e com o pé no chão. O futuro é muito promissor, e os dados mostram os motivos: 85% da exportação no Pará é de minério. O setor representa quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Geramos mais de 290 mil
empregos diretos e indiretos e vamos precisar, até 2021, de mais 90 mil colaboradores. Além disso, estão previstos US$ 29,29 bilhões de investimentos até 2020. As perspectivas são as melhores possíveis, pois há várias empresas pequenas e grandes vindo se instalar aqui. O Estado tem um endividamento baixo, e isso atrai o investidor, que busca segurança jurídica. E eu costumo dizer que temos 37 anos de mineração, e Minas Gerais, mais de 350. Queremos aprender com Minas para construir um Pará cada vez melhor.

M&S  Há possibilidades de o Pará ultrapassar Minas Gerais em produção mineral nos próximos anos?

JFGJ  Existe essa perspectiva forte com relação ao minério de ferro, mais precisamente entre 2018 e 2020. Mas isso dependerá do ajuste da planta do S11D. Podemos até passar na produção, mas, como disse, queremos sempre aprender com Minas.

M&S  O que esperar do S11D, inaugurado em dezembro?

JFGJ  Para nós, o S11D é motivo de muito orgulho porque é tudo de mais moderno que está acontecendo no mundo no ramo de mineração. É um projeto sustentável, que prevê a reutilização da água. Com ele não se usa fora de estrada, o que pode gerar uma produção de 90 milhões de toneladas com alto teor de minério. Além disso, o S11D está abrindo um novo marco na mineração brasileira, que é o turismo mineral. É uma nova janela de oportunidade que se abre para quem quer explorar esse mercado. Na Floresta Nacional de Carajás, são 400 mil hectares de floresta preservada e só 2.500 usados para a mineração. Enfim, o S11D é motivo de muito orgulho para o Pará, por toda sua tecnologia, pelo desenvolvimento de Canaã dos Carajás e por toda a contribuição de impostos para nosso Estado e também para o Brasil.

M&S  Qual o impacto desse projeto para o Estado, na visão do Simineral, em relação a este período de crise?

JFGJ  O S11D vem para revolucionar tudo que já se viu de mineração de ferro no mundo. Estamos trabalhando fortemente para que as empresas que passarem por este momento voltem mais fortes. Tivemos um boom do superciclo e, agora, voltamos para a normalidade dos preços. Quem fez o dever de casa, reduziu custos e ajustou a empresa já está colhendo os frutos e vai colher muito mais.

M&S  Como aproveitar todas essas expansões sem se esquecer da sustentabilidade?

JFGJ  As empresas que não tiverem em seu DNA a sustentabilidade e o meio ambiente estarão fora do mercado mundial. As empresas filiadas ao Simineral têm respeito ao meio ambiente e às comunidades locais. As pessoas que compram minério do Pará em outros países já começam a analisar a produção industrial da planta, se a produção se deu de forma sustentável, se houve um bom relacionamento com as comunidades locais e respeito ao trabalhador. Temos este diferencial, que é o respeito à Amazônia. O mercado está excluindo as empresas que não respeitam essas questões.

M&S  O Plano 2030 do Pará chama a atenção para uma exploração sustentável, melhorando a relação empresa x Estado x sociedade. Os primeiros passos já foram dados?

JFGJ  Um governo planejado é tudo o que a sociedade pode querer. E nosso planejamento não foi fechado, mas, sim, elaborado com a ajuda da sociedade civil, dos sindicatos, dos trabalhadores. Para seu desenvolvimento, foram discutidos a formação e o planejamento do Pará até 2030. Com isso, a evolução de todas as cadeias ficou bem clara no plano, permitindo que as empresas ligadas ao Simineral tenham cota de minério para se instalar aqui. Nós temos matéria-prima, e o governo dá incentivos para que as empresas venham para o Estado e a utilizem. Nosso plano já se tornou mais do que uma realidade, pois vem atraindo várias empresas dos mais variados setores, como dendê, chocolate e açaí, além da própria mineração.

M&S  Sobre o Novo Marco da Mineração, quais as expectativas do Simineral?

JFGJ  Concentramos toda essa discussão no Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) a fim de que alguns Estados não fiquem isolados. Dentro do Ibram há um comitê para tratar especificamente dessa questão, pois o órgão abrange o país inteiro, e ele tem conduzido isso de uma boa forma.

M&S  Como a crise tem afetado a mineração paraense?

JFGJ  Qualquer crise preocupa. Devido a uma gestão séria, neste ano o Pará não ficou com as contas no negativo. E isso motiva outros setores. Como eu disse, quem fez o dever de casa, com esse olhar para frente, vai sair bem melhor desta fase.

M&S  O novo governo parece disposto a dar um novo “gás” ao programa de concessões em infraestrutura. O senhor acredita que, desta vez, haverá um êxito maior na proposta?

JFGJ  Eu confio muito nesse programa porque é o que vai proporcionar desenvolvimento para o Estado, com a geração de empregos de modo rápido. O uso de matéria-prima causa uma geração direta de emprego. Com isso, a economia se movimenta. E precisamos fazer a economia rodar no país. Dando certo isso, todos vão ganhar: país, sociedade e empresas. É um excelente início.

 

JOSÉ FERNANDO GOMES JÚNIOR – Perfil
Preside o Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral) desde 2014. Sua atuação profissional na área sindical da indústria é extensa, tendo ele já sido diretor de diversas instituições, como a Federação da Indústria do Pará (Fiepa) e o Centro das Indústrias do Pará (CIP), do qual foi vice-presidente. José Fernando também atuou como gerente regional de relações institucionais da Vale Pará/Maranhão. Ele é formado em gestão de negócios, pelo Centro Universitário do Pará (Cesupa), e pós-graduado em gestão de pessoas, pela mesma instituição.

 

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