SG/Cade reprova fusão entre Votorantim e ArcelorMittal

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Foto: Reprodução Web

Operação será analisada em última instância pelo Tribunal do Cade que definirá pela aprovação, reprovação ou adoção de soluções para os problemas identificados.

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica – SG/Cade reprovou a aquisição da Votorantim Siderurgia pela ArcelorMittal em parecer publicado na tarde da terça-feira, 5. O caso segue agora para análise do tribunal do órgão.

Segundo o parecer da superintendência, a operação afeta os mercados de aços longos comuns, especialmente os nacionais de matérias-primas para atividade siderúrgica; tarugos; barras MBQ (merchant bar quality); perfis leves; perfis médios; fio máquina comum; trefilado CA-60; telas eletrosoldadas; treliças arame recozido; e vergalhões, além dos mercados regionais de corte e dobra de vergalhões e compra de sucata.

Conforme a SG, a operação consiste na fusão de duas das três principais fornecedoras de aços longos comuns do país. Juntamente com a Gerdau, as empresas detêm mais de 80% da oferta do mercado e, em um cenário pós-venda, as concorrentes menores não teriam capacidade de contestar o poder de mercado detido por ArcelorMittal e Votorantim. Além disso, segundo o órgão, no cenário de crise atual, dificilmente haveria espaço para entrada de novos concorrentes.

Na análise do órgão, foi constatado que a transação resultaria no aumento de poder de compra de sucata na região Sudeste, o que poderia prejudicar empresas de pequeno porte e notadamente pulverizadas, que dependem da venda do insumo para as siderúrgicas. Ainda para a entidade, a operação pode resultar em elevação dos preços de aços longos decorrente de um aumento no poder de mercado da ArcelorMittal.

Conforme o SG, também existem indícios de que a operação acarretaria em um aumento da probabilidade de colusão nos mercados analisados. O parecer aponta uma série de fatores estruturais que incentivariam práticas coordenadas pelas maiores empresas, além de citar investigações e condenações por cartel em mercados de aços, proferidas pelo Cade.

A fusão das duas empresas será agora analisada em última instância pelo Tribunal do Cade que definirá pela a aprovação, reprovação ou adoção de eventuais soluções para os problemas identificados. O prazo legal para a decisão final do Cade é de 240 dias, prorrogáveis por mais 90, a partir da notificação da operação em 8 de abril.

Com informações do Cade

1 COMENTÁRIO

  1. É um absurdo se vier a concretizar esta fusão! Funde-se duas grandes e a terceira sobreviverá por quanto tempo? É certo que existirá Cartel para liquidar a terceira.
    Semelhante absurdo o Cade fez recentemente permitindo a Fusão da Lafarge com a Holcim. Esta fusão destruiu diversas empresas de pequeno porte que eram fornecedores destas, praticamente acabou com algumas cidades que teve suas unidades fechadas.
    Esta fusão foi boa somente para acionistas de ambas as partes.
    Absurdo o CADE aprovar que empresas multinacionais venham para o país apoderar-se de nossas riquezas minerais e explorar a sociedade da forma como o fazem.
    Lamentável a decisão tomada no caso da fusão LafargeHolcim, mas espero que não cometa o mesmo crime para com a sociedade.

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