Estudo da UFV comparou o escoamento de água da chuva em áreas pré e pós-lavras reflorestadas com culturas de eucalipto.

Uma pesquisa realizada na Universidade Federal de Viçosa (UFV) comprovou que áreas mineradas podem contar com uma melhor absorção de água em comparação às áreas pré-lavras. A dissertação de mestrado “Escoamento superficial em áreas de mineração de bauxita, pré e pós-lavra, na Zona da Mata Mineira” demonstrou que a produção de enxurrada (escoamento superficial) é menor em áreas mineradas e reflorestadas com plantio de eucalipto do que em áreas não mineradas, mas com plantio da mesma espécie.

Conforme explica o engenheiro florestal e mestre em ciência florestal Lucas Jesus da Silveira responsável pela pesquisa, a maior absorção da água e consequente menor escoamento superficial é importante para o ciclo da água, especialmente para alimentação dos lençóis freáticos e produção de água na natureza. “Esse escoamento superficial é negativo porque a água vai embora para o rio e não será aproveitada pelo solo, vai gerar uma perda econômica e cheias nos rios. A gente quer reduzir o escoamento superficial, pois embora seja natural é negativo do ponto de vista da conservação do solo e da água”, detalha.

O estudo teve início em 2016 e término em maio deste ano, sob orientação do coordenador do Laboratório de Hidrologia Florestal da UFV Herly Carlos Teixeira Dias. Para desenvolvimento da pesquisa, Silveira usou como base de comparação uma área minerada e reabilitada, localizada em Miraí e uma área rica em minério ainda não explorada, porém reflorestada, em Rosário da Limeira, ambas da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), em Minas Gerais. Segundo o pesquisador, para garantir a validade do estudo, foram selecionadas áreas com semelhanças geográficas, fisiográficas, climáticas e até de declividade. Já a incidência da chuva foi equiparada por proporcionalidade, possível devido à instalação de pluviômetros.

Como resultado, a pesquisa encontrou um escoamento 68,63% menor na área pós-lavra, onde foi registrado um escoamento superficial de 0,17%. Na área pré-lavra, por sua vez, o índice foi de 0,56%. A diferença considerável, conforme Silveira, se deve entre outros fatores, ao volume de árvores, a existência de clareiras e falhas, e ao preparo do solo.

Segundo ele, na área pré-lavra, devido à falta de preparo do solo, o plantio era feito morro abaixo, no sentido do declive. Na pós-lavra, por sua vez, havia curvas em nível e toda uma engenharia para favorecer a melhor absorção da água. Além disso, complementa, “o solo na pré-lavra tinha um comportamento hidrofóbico, ou seja, ele repelia a água. Até começar a umedecer, muita água era perdida”, explica.

O estudo concluiu ainda que o uso do eucalipto para reabilitação de áreas possui três principais pontos positivos: hidrológico, com o menor escoamento superficial; ecológico, com o aporte de serapilheira que ao longo dos anos se decompõe e auxilia na estruturação do solo; e econômico, devido à manutenção da produtividade do terreno e ao lucro com a madeira, gerando poucos gastos para o proprietário das áreas.

Desde 2016, a CBA realiza uma parceria com o departamento de Engenharia Florestal da UFV, a fim de aprofundar suas pesquisas e comprovar que o projeto que vem desenvolvendo é significativo. Além da tese de Lucas Jesus da Silveira, outras pesquisas estão sendo desenvolvidas por alunos da UFV em áreas que passaram pelo processo de reabilitação ambiental. O estudo continua agora com uma mestranda que irá avaliar o antes e depois em uma mesma área.

 

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