Noventa e uma pessoas permanecem desaparecidas e 214 é o número de mortos confirmados

Há exatos dois meses, por volta de 12h25, Brumadinho (MG) e região viveriam uma das piores tragédias da história. Com o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, da Vale, cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério foram lançados no meio ambiente. A lama espessa atingiu em cheio a área administrativa da empresa, o refeitório e seguiu um trajeto de destruição passando por comunidades próximas, uma pousada, até cair no rio Paraopeba, um dos principais cursos d’água da região.

Até o momento já foram confirmados 214 mortos, a maior parte funcionários da Vale ou terceirizados que prestavam serviços para a empresa. Outras 91 pessoas permanecem desaparecidas.

Os trabalhos de resgate continuam sendo feitos pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. Nesta segunda-feira (25) 129 militares atuam na região em 23 frentes de trabalho. Eles utilizam 78 máquinas pesadas como auxílio. Os cães não estão atuando nos trabalhos pois foram afastados por manifestarem leves problemas de saúde.

Hoje, eles trabalham próximo ao local onde será construído o primeiro dique de contenção. Também será iniciado o remanejo do rejeito da área do Descarte 2 para o Descarte 1 e as demais estratégias que já vêm sendo executadas nas demais áreas.

Presente!

Após dois meses, 91 pessoas permanecem desaparecidas. Na manhã de segunda, familiares se reuniram em frente ao letreiro na entrada de Brumadinho e fizeram uma lista de chamada com o nome de cada um deles, respondendo “presente” em seguida. O clima era de comoção e revolta.

Nas letras que formam o nome da cidade foram colocados cruzes, fotos, camisas, cartazes e outros objetos que homenageiam e marcam a lembrança das vítimas da tragédia.

CPI

Agora à tarde, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Barragem de Brumadinho da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) começou a fase de oitivas (interrogatório) de testemunhas e pessoas envolvidas na investigação da tragédia.

Nessa primeira reunião extraordinária, a CPI vai ouvir representantes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e das polícias Federal, Militar e Civil. Na quinta-feira (28), outra leva de entrevistas deve ser realizada, na reunião ordinária da CPI. Os objetivos da CPI são avaliar as causas do rompimento, reunir provas e cobrar punições, além de acompanhar a reparação de danos e assistência aos atingidos pela tragédia.

No total, treze pessoas são investigadas por envolvimento no desastre. Destes, onze são funcionários da mineradora e dois consultores da empresa alemã TUV Sud, que assinou o laudo de estabilidade da barragem que se rompeu.

Acordo

A Vale terá que apresentar à justiça, até 4 de abril, o relatório parcial de pagamentos aos atingidos pelo rompimento da barragem em Brumadinho. De acordo com informações do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a medida foi decidida em audiência de conciliação realizada na 6ª Vara da Fazenda Estadual de Belo Horizonte na última quinta-feira (7) de março. A apresentação será na mesma data em que nova audiência já está marcada.

Também ficou definido na reunião que a empresa deverá doar uma cesta básica por mês, durante 12 meses, para cada família de Córrego do Feijão e de Parque da Cachoeira, principais regiões atingidas pela lama de rejeitos.

Para garantir celeridade na adoção das medidas emergenciais e evitar dificuldades na tramitação dos autos da ação judicial, a Vale e o Estado de Minas Gerais celebraram um acordo para que a contratação de produtos ou serviços necessários, bem como as despesas emergenciais relacionadas ao rompimento, sejam feitas extrajudicialmente.

Outra audiência será realizada no dia 21 de março, data em que a Vale se comprometeu a apresentar a análise da documentação individual dos atingidos e a demonstrar que não haverá falta de água – ou como será suprido seu fornecimento nas cidades que dependiam da captação do Rio Paraopeba.

 

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