Fiemg estima perda de R$ 3,5 bi na siderurgia após greve

presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Lopes; Presidente do Sistema Fiemg, Flávio Roscoe; e CEO da ArcelorMittal Aços Longos América do Sul, Central e Caribe e vice-presidente da Fiemg, Jefferson de Paula, durante coletiva sobre os impactos gerados pela greve dos caminhoneiros no setor de siderurgia. Foto: Fiemg/ Divulgação.

Presidente da Fiemg está preocupado com o efeito das decisões tomadas pelo Governo Federal para acabar com a greve dos caminhoneiros.

O setor de siderurgia espera uma perda de até R$ 3,5 bilhões após as medidas tomadas pelo Governo Federal na tentativa de solucionar a crise dos caminhoneiros, foi o que declarou o presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, na última terça-feira (12).

De acordo com dados da Fiemg, a indústria siderúrgica brasileira emprega mais de 100 mil colaboradores e corresponde a 6,9% do Produto Interno Bruto industrial de Minas. O setor, que já vem enfrentando dificuldades após a crise econômica iniciada em 2015, neste momento tem a maior preocupação com a indústria do aço.

“No atual quadro, tivemos vários efeitos danosos da crise dos combustíveis para o setor, como a redução da alíquota do Reintegra de 2% para 0,1%” pontuou Roscoe.

Ele explicou que o Reintegra é uma compensação por carga tributária oculta que realiza o ressarcimento desses tributos para exportadores.

“Ninguém exporta impostos, por isso a importância desse programa. E ao reduzir o Reintegra, tiramos dinamismo de vários setores para exportar. Como consequência, essas empresas ficam menos competitivas, são gerados menos empregos e, obviamente, menos impostos,” completou.

O presidente também comentou sobre a posição do órgão frente à outras medidas tomadas pelo Estado para acabar com a greve dos caminhoneiros.

“A postura da administração da Federação é a de judicializar os temas que não houver mais chances de negociação. Estamos com ações prontas contra, principalmente, dois temas importantes após a crise dos combustíveis, que são o Reintegra e a tabela de Valor Mínimo de Frete, que viola claramente a Constituição”.

Siderurgia

O presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, disse que o setor apelou para a judicialização para reversão das medidas tomadas pelo Governo Federal com o intuito de dar previsibilidade ao mercado em 2019.

“Nós trabalhamos com a ideia de judicialização, porque entendemos que a única maneira efetiva para se acabar com o Reintegra seria um Reforma Tributária bem executada, não apenas em uma canetada,” comentou.

Ele destaca que as porcentagens até então vigentes para o Reintegra estavam defasadas e impediam uma maior competitividade. O executivo completa que o setor trabalhava com a proposta de os atuais 2% serem o piso para o programa e que cada segmento negociaria separadamente seus percentuais de ressarcimento. Para a siderurgia esses valores seriam de 7%.

Dos R$ 3,5 bilhões de perda, R$ 1,1 bilhão seriam provenientes do período de greve, já R$ 1,8 bilhão viria da tabela de fretes e R$ 0,6 bilhão de perdas com drástica diminuição do Reintegra.

Além disso, a indústria siderúrgica já está atuando abaixo de sua capacidade. “Nossa capacidade instalada é de 68% no país, o ideal seria de, pelo menos, 80%,” garantiu o presidente executivo do Aço Brasil.

O CEO da ArcelorMittal Aços Longos América do Sul, Central e Caribe e vice-presidente da Fiemg, Jefferson de Paula, declara que o Brasil ainda está em processo de saída de uma das maiores crises de sua história. Para ele, o país tem boas indústrias e um agronegócio forte que podem auxiliar a retomada econômica aliados à prática exportadora.

“No atual quadro brasileiro, a melhor saída para voltarmos a crescer é a exportação, uma vez que podemos girar a economia, gerar mais empregos, para, assim, retomar investimentos,” comentou.

*Sob supervisão de Sara Lira