Alcoa investirá R$ 400 milhões para retomar produção de alumínio no MA

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Planta da Alumar em São Luís (MA) - Foto: Divulgação.

A empresa poderá produzir 268 mil toneladas de metal primário e o volume será destinado ao mercado brasileiro, segundo o presidente da companhia.

Com a melhora do mercado e dos preços do alumínio no mundo, a multinacional americana Alcoa decidiu retomar a produção de alumínio primário no Brasil. A companhia anunciou que a usina da Alumar, em São Luís (MA), paralisada desde 2015, voltará a operar em abril de 2022. Para isso a companhia vai investir R$ 400 milhões.

Segundo o presidente da Alcoa no Brasil, Otávio Carvalheira, a empresa poderá produzir 268 mil toneladas de metal primário na planta e o volume será destinado ao mercado brasileiro. “Nós vamos suprir o país, a nossa produção será vendida aos transformadores de alumínio. Esse é o planejamento inicial. No entanto, a unidade está perto do porto, o que pode beneficiar a exportação”, disse Carvalheira.

A empresa prevê que a nova capacidade será alcançada no último trimestre de 2022. Antes, a Alumar era apta a fazer 450 mil toneladas.

Para a retomada, serão contratados 750 novos empregados, os quais se somarão aos 850 que já trabalham na refinaria (fabricação de alumina). A Alumar tem como sócia minoritária a australiana South32. Segundo a empresa, o custo total do reinício das operações será de US$ 75 milhões. O impacto no balanço no próximo trimestre será de até US$ 20 milhões.

A volta da produção da Alcoa na Alumar, por enquanto, é um caso isolado. Desde 2015 foram fechadas 788 mil toneladas em capacidade instalada no país, segundo a Associação Brasileira do Alumínio (Abal). Desse volume, a Abal estimava que 450 mil toneladas poderiam retornar.

Atualmente, a indústria do alumínio no país pode produzir 910 mil toneladas de metal primário – as duas grandes produtoras são a CBA, do grupo Votorantim, e a Albras, da Norsk Hydro.

Um dos motivos para o fechamento de capacidade, há seis anos, foi justamente o custo de energia cobrado no país. A energia pesa entre 35% e 45% no custo de produção. Atualmente, o preço do alumínio na LME (Bolsa de Londres) está na faixa de US$ 2,9 mil a tonelada.

No caso da Alcoa, Carvalheira informou que a empresa tem acordos com geradoras e distribuidoras de energia para suprir a Alumar e as operações que mantém no país. “O cenário mudou bastante e temos projetos de energia renovável que vão alimentar a produção a partir de 2024 a custos competitivos para permitir que seja sustentável ao longo do tempo”, afirmou.

Ainda segundo ele, a empresa tem um mix de fornecimento de energia e cogeração em hidrelétricas em que é sócia com outras companhias. A Alcoa não informou o consumo anual de energia, mas ressaltou que a partir de 2024 prevê usar a maior parte de energia renovável.

 

 

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