Um estudo inédito do Serviço Geológico do Brasil (SGB) aponta a Bahia como um dos estados brasileiros com maior potencial geológico para a ocorrência de terras raras, elementos considerados estratégicos para setores como energias renováveis, mobilidade elétrica, tecnologia de ponta e defesa. As conclusões fazem parte do Informe de Recursos Minerais – Terras Raras no Estado da Bahia: Síntese dos Principais Prospectos (link no fim da matéria).
O documento reúne dados técnicos e geológicos que contribuem para o desenvolvimento do setor mineral, ao apoiar decisões relacionadas a planejamento, licenciamento ambiental, pesquisa mineral e investimentos. O objetivo é oferecer uma base qualificada de informações para políticas públicas e iniciativas privadas voltadas a minerais essenciais à transição energética.
Na publicação, o SGB detalha diferentes contextos geológicos presentes na Bahia, destacando ocorrências de terras raras em unidades como o Complexo Jequié, o Complexo Lagoa Real e a Faixa Araçuaí, além de áreas situadas na borda leste do Cráton do São Francisco.
Em Lagoa Real, por exemplo, os dados indicam potencial para a ocorrência de terras raras como subprodutos de depósitos de urânio, ampliando as possibilidades de aproveitamento mineral integrado.
Já na Faixa Araçuaí e em terrenos associados ao Cráton do São Francisco, as ocorrências estão relacionadas a granitos alcalinos e pegmatitos, ambientes geológicos favoráveis à formação de depósitos do tipo argila iônica — modelo que vem despertando crescente interesse no cenário internacional por sua relevância econômica e estratégica.
Segundo a pesquisadora do SGB Lucy Takehara Chemale, coordenadora do projeto Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil, o estudo evidencia a diversidade geológica do estado. “O informe mostra que as ocorrências de terras raras na Bahia estão associadas a diferentes contextos e idades geológicas. As informações apresentadas são fundamentais para a identificação e delimitação de áreas mais promissoras para a formação de depósitos de elementos terras raras (ETR)”, explica.
Em um contexto global marcado pela forte concentração da produção de terras raras na China e por crescentes riscos geopolíticos que afetam o acesso a esses recursos, o SGB destaca a importância de diversificar áreas prospectivas no Brasil. Nesse cenário, a diversidade de ambientes mineralizadores da Bahia reforça o papel do estado como um polo emergente para a exploração desses minerais estratégicos.
Dados do Sistema de Informações Geográficas da Mineração (SIGMINE), da Agência Nacional de Mineração (ANM), indicam que a Bahia concentra cerca de 38% das áreas requeridas para terras raras no país. Embora esse número reflita a expressiva diversidade geológica do estado, o estudo ressalta que ainda não é possível afirmar que a Bahia detenha o maior potencial produtivo nacional, uma vez que a maioria dos projetos está em estágios iniciais de pesquisa.
O SGB também reforça que a identificação de áreas com potencial geológico para terras raras não implica, necessariamente, a existência de reservas economicamente viáveis nem a implantação imediata de empreendimentos minerários, etapas que dependem de estudos adicionais, viabilidade econômica e processos regulatórios.
Download do estudo (clique no link abaixo para baixar):
https://rigeo.sgb.gov.br/handle/doc/25798








