
A Cabo Verde Mineração anunciou a descoberta de um novo alvo detalhado para Elementos de Terras Raras (ETR), denominado Alvo Botelhos, no sul de Minas Gerais. A empresa já iniciou a sondagem por trado mecânico na área, localizada na borda do Complexo Alcalino de Poços de Caldas, ampliando o escopo de um projeto que apresenta potencial estimado em mais de 500 milhões de toneladas de argilas iônicas mineralizadas.
O avanço reforça a escala do empreendimento, que reúne características para se posicionar entre os maiores projetos de terras raras em desenvolvimento no Brasil. O novo alvo se soma ao Alvo Caconde 1, onde a companhia mantém sondagens de detalhe em malha regular, com foco na futura certificação de recursos inferidos conforme padrões internacionais como JORC e NI 43-101.
Os dois alvos integram um amplo programa de pesquisa mineral conduzido em um bloco contínuo de aproximadamente 91 mil hectares, distribuído por quatro municípios do sul de Minas Gerais. Ao todo, o projeto abrange 57 direitos minerários, inseridos em um dos corredores geológicos mais promissores do país para os ETR.
Segundo a empresa, os resultados obtidos até o momento, tanto em escala regional quanto nas sondagens iniciais, confirmam a presença de um sistema de terras raras do tipo argilas iônicas — classe de depósito considerada estratégica no mercado internacional devido à elevada recuperação metalúrgica, menor complexidade operacional e forte alinhamento às cadeias industriais da transição energética. Os alvos avaliados apresentam continuidade lateral e vertical da mineralização, com perfis de intemperismo homogêneos e intervalos mineralizados que atingem, em alguns pontos, cerca de 20 metros de espessura.
Entre os destaques técnicos reportados pela companhia estão intervalos de até 16 metros com teor médio de 2.425 ppm de TREO, incluindo picos de 4.302 ppm de TREO e 854 ppm de MREO — grupo que concentra os elementos magnéticos de maior valor econômico, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
Em diversos furos, a sondagem foi encerrada ainda dentro da zona mineralizada, indicando potencial de expansão do recurso. Ensaios metalúrgicos de lixiviação em escala laboratorial, realizados na SGS GEOSOL, apontaram recuperações de até 81,7% de TREO e superiores a 60% de MREO, reforçando a viabilidade técnica e econômica do sistema.
Paralelamente ao avanço do projeto de terras raras, a Cabo Verde Mineração retomou as atividades em seu projeto de minério de ferro na Mina Catumbi, localizada nos municípios de Cabo Verde e Muzambinho (MG).
A operação possui licença ambiental vigente e capacidade instalada para até 600 mil toneladas por ano, utilizando processo a seco, sem formação de barragens. A produção é voltada a produtos premium lump e sinter feed provenientes de ROM magnetítico, com teor médio em torno de 66% de ferro (Fe), destinados ao mercado nacional.
Segundo a geóloga Maria do Carmo Schumacher, responsável técnica pelo projeto de terras raras, o início da sondagem em Botelhos consolida a interpretação de um distrito mineral de grande escala. “Os resultados regionais e as sondagens iniciais em Caconde 1 demonstraram elevada consistência geológica, com teores contínuos e excelente resposta metalúrgica. A entrada do Alvo Botelhos amplia essa leitura e reforça o potencial de um sistema de argilas iônicas com características de classe mundial”, afirma.
Na avaliação do geólogo e consultor técnico Oscar Yokoi, membro do Australian Institute of Geoscientists, os resultados obtidos até agora destacam o caráter singular do projeto. “As anomalias estão distribuídas nos quatro quadrantes das áreas pesquisadas, com valores que chegam a 14.000 ppm e recorrência significativa na faixa de 3.000 ppm. Trata-se de um sistema com manto de intemperismo espesso, que rompe a ideia de que as terras raras estariam restritas apenas ao centro do Complexo de Poços de Caldas ou a terrenos geologicamente mais jovens”, explica.
Para o CEO da Cabo Verde Mineração, Túlio Rivadávia Amaral, o projeto avança em um momento estratégico do mercado global. “Estamos evoluindo de forma disciplinada na definição dos alvos e na geração de dados técnicos, com rigoroso controle de qualidade. A escala do projeto, com mais de 91 mil hectares e 57 direitos minerários, aliada aos resultados obtidos até agora, indica potencial de classe mundial e reforça a posição do Brasil como detentor da segunda maior reserva global de terras raras”, destaca.
Consideradas insumos críticos para a transição energética, a eletrificação da mobilidade, a geração eólica e diversas aplicações industriais e estratégicas, as terras raras ocupam papel central na agenda econômica e geopolítica global. Com o refino mundial concentrado majoritariamente na China, cresce a busca por projetos localizados em jurisdições estáveis, com escala, segurança regulatória e potencial de longo prazo.
Nesse cenário, a Cabo Verde Mineração informou que mantém negociações com players internacionais para acordos de desenvolvimento conjunto, abrangendo desde a pesquisa mineral até a definição de rotas tecnológicas de processamento e agregação de valor. A companhia seguirá investindo na ampliação das sondagens, na consolidação do modelo geológico e na certificação progressiva dos recursos, com o objetivo de transformar o avanço exploratório em um projeto estruturante para a cadeia global de terras raras.








