A biolixiviação — processo de lixiviação induzida por microrganismos — desponta como uma alternativa promissora para tornar viável a produção de cobalto no Brasil, combinando maior eficiência econômica e menor impacto ambiental. Embora o país possua recursos relevantes, atualmente não há produção nacional desse minério.

A nova rota de processamento integra os resultados do Projeto BioProLat, desenvolvido em parceria pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), pelo Instituto Federal de Geociências e Recursos Naturais da Alemanha (BGR) e pelo Centro de Tecnologia Mineral (CETEM). As conclusões estão reunidas no Informe de Recursos Minerais – Recuperação de cobalto e níquel laterítico por bioprocessamento redutivo no Brasil.

O cobalto e o níquel são considerados matérias-primas críticas para a fabricação de baterias e outros insumos estratégicos, essenciais tanto para tecnologias ligadas à transição energética quanto para a indústria de defesa. Nesse cenário, o aperfeiçoamento dos métodos de processamento mineral contribui para fortalecer a cadeia produtiva nacional, ao mesmo tempo em que reduz a geração de rejeitos e amplia o aproveitamento de recursos minerais já conhecidos.

Segundo o pesquisador do SGB José Luciano Stropper, um dos autores do estudo, a tecnologia permite ampliar significativamente o potencial produtivo do setor. “O projeto possibilita aumentar a extração de metais em minas existentes e transformar minérios antes não aproveitados em reservas, gerando fontes valiosas de cobalto e níquel”, afirma.

Stropper destaca ainda que o Brasil reúne condições geológicas favoráveis para a produção desses metais, especialmente em depósitos de níquel laterítico, o que reforça a importância da inovação tecnológica. “Existe uma necessidade urgente de novos métodos de extração de níquel e cobalto para atender à demanda por sistemas de energia limpa e renovável. A biohidrometalurgia é um processo integrado, com economia de energia e ambientalmente correto para a extração de metais”, explica.

O Informe de Recursos Minerais integra a série Minerais Estratégicos e foi organizado por pesquisadores do SGB, do BGR, da Agência Alemã de Recursos Minerais (DERA), do CETEM e da empresa alemã GEOS. A pesquisa faz parte das ações do Projeto BioProLat, iniciado em fevereiro de 2021 e concluído em julho de 2025, com financiamento do Ministério Federal Alemão de Educação e Pesquisa (BMBF).

 

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