A disputa global por minerais estratégicos ganhou um novo componente tecnológico. O governo de Donald Trump estuda aplicar um sistema de inteligência artificial desenvolvido pelo Pentágono para definir parâmetros de precificação de minerais críticos, incluindo terras raras, com o objetivo de reduzir distorções históricas e diminuir a dependência dos Estados Unidos da cadeia dominada pela China.
A ferramenta utiliza algoritmos capazes de calcular preços de referência com base em custos reais de produção, logística, processamento e riscos geopolíticos. A proposta rompe com a formação tradicional de preços e busca estabelecer valores estruturais para insumos considerados essenciais à segurança nacional, à indústria de defesa e às tecnologias de ponta.
O modelo foi testado inicialmente em minerais como gálio, germânio, tungstênio e antimônio — fundamentais para semicondutores, radares e sistemas militares. Especialistas indicam que a metodologia pode ser expandida para o mercado de terras raras, indispensáveis para baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, chips avançados, equipamentos de defesa e fertilizantes.
O movimento ocorre em um cenário de alta concentração da oferta global. A China responde pela maior parte da produção e do processamento desses elementos, o que gera volatilidade, baixa transparência na formação de preços e riscos para países dependentes. Nesse contexto, a adoção de modelos de IA pode criar um novo referencial para contratos internacionais e políticas industriais.
A mudança abre espaço para novos fornecedores e coloca o Brasil em posição estratégica. A Terra Brasil Minerals detém uma das maiores reservas nacionais de terras raras, com mais de 2 bilhões de toneladas de recursos em kamafugito, formação que reúne também titânio, fosfato e potássio. Os projetos em desenvolvimento podem inserir o país de forma mais competitiva em um mercado pressionado por fatores geopolíticos e pela transição energética.
De acordo com o CEO Eduardo Duarte, a entrada da inteligência artificial na precificação indica uma nova etapa na disputa por recursos estratégicos. A previsibilidade de preços e a segurança da cadeia produtiva passam a ser fatores centrais para atrair investimentos, diversificar a oferta global e reduzir a dependência de poucos produtores.
Analistas avaliam que maior previsibilidade — mesmo baseada em modelos algorítmicos — tende a destravar aportes bilionários em mineração fora do eixo China–Ásia, ampliando a competitividade de novos players. Ao mesmo tempo, o uso de IA na formação de preços levanta questionamentos sobre o limite da intervenção estatal em mercados estratégicos sob o argumento de segurança nacional.
Para a Terra Brasil Minerals, projetos de grande escala com múltiplos elementos críticos passam a ser vistos como ativos geopolíticos. O Brasil, segundo a empresa, reúne condições naturais e institucionais para ganhar protagonismo na segurança mineral global, com potencial de fornecimento sustentável nas próximas décadas.
Ao colocar a inteligência artificial no centro da precificação de terras raras, os Estados Unidos sinalizam que a disputa pelos minerais do futuro passa a combinar geologia, tecnologia e estratégia política.









