Desenvolvido em parceria entre o Instituto Votorantim e o BNDES, programa social apoia 260 famílias na produção, no processamento e na comercialização de hortifrútis na região do Vale do Ribeira, no Paraná.

Responsável por ocupar 12,3 milhões de pessoas na produção agrícola, o que corresponde a 74,4% de gente na ativa, a agricultura familiar se destaca também por ser a maior fornecedora nacional de algumas culturas, a exemplo da mandioca (87,0%) e do feijão (70,0%), segundo a última edição do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar disso, a falta de infraestrutura para o beneficiamento e de formas de comercialização dos produtos ainda são desafios para as famílias. Com o objetivo de resolver esses gargalos, foi criada, há quatro anos, no Paraná, a Central de Distribuição de Alimentos do Vale do Ribeira. Atuando nos municípios de Rio Branco do Sul e Itaperuçu, o projeto já apoia 260 famílias na produção, no processamento e na comercialização de hortifrútis.

A central integra o programa ReDes, criado em 2010, por meio de uma parceria entre o Instituto Votorantim e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para promover o desenvolvimento sustentável em 30 cidades brasileiras. O projeto conta com a participação da Associação do Conselho Agrícola de Rio Branco do Sul (Acars) e da Associação de Produtores na Agricultura Familiar de Itaperuçu (Aprafi). “Antes, não faltava mercado, mas faltava produzir com qualidade. Com a central, isso mudou”, ressalta o presidente da Acars, Alexandre Scelinski. O produtor destaca ainda o papel das parcerias: “Essa união é fundamental. É uma revolução na agricultura no Vale do Ribeira. É impossível você trabalhar na agricultura familiar sem uma central como essa, que qualifique o produto e facilite a comercialização”, acrescenta.

De acordo com Fernanda Ramos, analista de responsabilidade social da Votorantim Cimentos, a central funciona como uma cooperativa, oferecendo todo o suporte para que os agricultores familiares mantenham um padrão de qualidade e agreguem valor ao produto. “Entre os principais objetivos do projeto estão a construção de uma rede capaz de fortalecer a economia inclusiva, articulada por uma instância participativa, com representação do governo, da iniciativa privada e do terceiro setor, e o incentivo ao comércio de produtos da agricultura familiar, criando novas oportunidades de aumento da renda, além de contribuir com a profissionalização do produtor rural”, explica a analista.

VOCAÇÃO PRODUTIVA

Para a definição da atividade a ser apoiada na região, os desenvolvedores do projeto fizeram um mapeamento para identificar a vocação produtiva econômica local. Dos projetos inscritos na época, a Central de Distribuição de Alimentos era o que tinha potencial de incluir mais pessoas e famílias e, assim, gerar mais emprego e renda nos municípios.

Até aquele momento, as famílias faziam contratos individuais com as prefeituras para o abastecimento de programas como o Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Aquisição de Alimentos (PAA). Durante as entregas dos alimentos nas instituições, os trabalhadores ficavam ausentes de suas propriedades por um longo período. Além disso, não conseguiam agregar maior valor aos produtos ofertados por não oferecerem variedades de culturas ou por não fazerem o beneficiamento. Havia também o desperdício de itens devido à falta de controle dos agricultores.

Mas, com a instalação do programa,
esse cenário mudou.

Agora, os produtores rurais entregam os alimentos apenas uma vez por semana, diretamente na central, uma área de 5.000 m², que abriga espaços de seleção, higienização, pesagem, embalagem, além da cozinha, da câmara fria e da sala de reuniões e treinamentos. Em torno de 90 toneladas de produtos, como hortaliças, tubérculos, laranja e mexerica Pokan, cultivados pelas famílias, da região ganham a preparação necessária para a venda semanal. Para isso, ao longo dos quatro anos, a Votorantim Cimentos investiu R$ 1,5 milhão em estrutura física, máquinas, equipamentos e serviços.

ORGANIZAÇÃO COLETIVA

Para gerar um trabalho efetivo e duradouro, o projeto foi desenvolvido em fases. Inicialmente, realizou-se a Caracterização Local, com o mapeamento de oportunidades, a identificação de potenciais produtivos locais e a priorização de linhas de ação (abastecimento alimentar, comércio e serviços, economia criativa e reciclagem). Em seguida, houve a seleção de projetos e de planos de negócio, com a identificação de organizações e lideranças. Por fim, o projeto passou para sua terceira fase, com a implementação e o acompanhamento de uma consultoria especializada. Atualmente, passados quatro anos, o negócio atinge a maturidade, quando deve ocorrer o desembolso total dos recursos aportados.

Entre os resultados já mensuráveis estão o número de beneficiados e a renda gerada para cada um. A meta era abarcar 240 participantes, com uma renda média de R$ 134 beneficiário/mês em 2016. O projeto foi concluído com 260 beneficiados diretos (agricultores associados e participantes da cooperativa), que tiveram no ano passado uma renda média de R$ 316 por mês. Para o quinto ano, a intenção é alcançar a renda média de R$ 520 mensais.

Expectativa de beneficiados pelo projeto é migrar a produção do modelo de cultura tradicional para o do agroecológico e, posteriormente, para a orgânica. –  Foto: Leonardo Rodrigues / Instituto Votorantim

AUTOGESTÃO E PRODUÇÃO ORGÂNICA

Para 2017, a expectativa dos beneficiados pelo projeto, que, agora, seguem como gestores de seu próprio negócio, é expandir a produção e a comercialização dos produtos para as compras públicas (PNAE e PAA) de outros municípios, além de participar de feiras da região metropolitana de Curitiba.

O grupo também está trabalhando para migrar a produção do modelo de cultura tradicional para o do agroecológico e, posteriormente, para a produção orgânica, que agrega ainda mais valor aos produtos. É o caso da produtora Amélia Gefer, de 54 anos, que participa da central há um ano. Com a expectativa de aumento das vendas, Amélia e o marido investiram R$ 30 mil em uma estufa que será utilizada na produção de morangos orgânicos, ampliando as opções de culturas e de mercado consumidor. “Esperamos que a cooperativa continue crescendo e funcionando. Fizemos um investimento por meio de uma linha de crédito rural de Itaperuçu e acreditamos muito no sucesso das novas safras”, destaca.

Cerca de 3 dos 17 hectares de propriedade da família são utilizados para a plantação de pêssego, caqui, melancia e diversas hortaliças. Com o aumento da demanda, a produção deles cresceu 50%. “Já tínhamos uma freguesia, que atendíamos no sistema quali-pague, em que as pessoas escolhem na própria horta e colhem na hora, tudo fresquinho. Agora, temos que atender à cooperativa, e isso trouxe entusiasmo para nossa produção”, relata Amélia.

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