Superimã projeta Brasil no cenário mundial

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Parque Tecnológico do IPT em São José dos Campos (SP). Foto: Alexandre Carvalho/ A2img.

O material é produzido a partir de terras-raras. Tecnologia está em desenvolvimento no Brasil.

O superimã, imã de alta potência utilizado em turbinas eólicas, carros elétricos e discos rígidos de computador, entre outras aplicações, está cada vez mais próximo de se tornar realidade no Brasil. A tecnologia está sendo estudada pelo Centro de Tecnologia em Metalurgia e Materiais, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT).

O órgão está desenvolvendo uma liga específica para produzir superimãs, feita a partir do processamento do óxido de neodímio, metal obtido a partir das terras-raras, minérios que contém 17 elementos químicos. O material ainda não é extraído no Brasil.

Atualmente, a China é o maior produtor de terras-raras, tanto na extração, quanto no domínio da tecnologia de produção dos superimãs. Em 2011, o país oriental criou cotas de importação do material, o que provocou uma elevação abrupta dos preços.

De acordo com o engenheiro responsável pela pesquisa, João Batista Ferreira Neto, os estudos foram iniciados a partir dessa necessidade do mercado, de diversificar os locais de produção. Segundo ele, a Austrália possui tecnologia para produzir imãs, mas não na escala que o Brasil pode ter.

CBMM

A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) tem uma reserva de 22 milhões de toneladas de terras-raras. A empresa passou a extrair o minério na produção de neodímio para construir uma planta de concentração para o refino do material em Araxá (MG).

Embora a CBMM produza o óxido de neodímio, ela não chegou a desenvolver o imã. Para isso, contratou o IPT para pesquisar a cadeia de produção dos imãs. A ideia é que o Instituto entenda como sair do óxido para obtenção do metal de terras-raras, para depois, numa segunda fase, obter a liga didímio-ferro-boro que dá origem ao superimã.

“O que estamos fazendo agora é partir para um outro projeto engatado a esse, que envolve não apenas a CBMM, mas a WEG, produtora de turbinas eólicas no Brasil. Ela está em outra ponta da cadeia e importa os imãs da China, para a produção de seus produtos no Brasil”, explica o engenheiro, João Batista.

Uma das parceiras é a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), que vai implantar um laboratório-fábrica de ímãs de terras-raras. O projeto será desenvolvido pela Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina e o IPT, contando com cerca de 20 especialistas técnicos. A startup BRATS, que surgiu dentro do Instituto, também manifestou interesse em operar um laboratório-fábrica no mesmo estado.

 

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