Determinação do CNPE impulsiona o mercado deste biocombustível.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, em março, a medida que determina o aumento de 10% de biodiesel (B10) na mistura com o óleo diesel. Essa decisão trouxe para o mercado uma expectativa de, pela primeira vez, alcançar o patamar de 5 bilhões de litros ainda neste ano, de acordo com a Associação dos Produtores de Biodiesel (Aprobio).

Para o gerente de negócios para biodiesel da Camlin Fine Sciences (CFS), Federico Sakson, o biodiesel impactará na geração de empregos, na redução das importações de diesel, na agricultura familiar, no uso da capacidade instalada e na redução das emissões de CO2. O produto que é um biocombustível produzido a partir de óleos vegetais como soja, girassol, canola, residuais e gorduras animais, como o sebo bovino e aviário.

“A mistura que, atualmente é de 10%, aumentará a produção de biodiesel em 25% este ano com relação a 2017, calcula a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio). Por isso, o volume de produção do biodiesel deve chegar a 5,4 bilhões de litros este ano, frente aos 4,2 bilhões de litros no ano passado”, afirma.

Ele destaca também que com o B10 o Brasil se consolida como o 2º maior produtor e consumidor de biodiesel, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Utilização no Brasil

Frederico destaca que o biodiesel vem sendo utilizado desde janeiro de 2008, devido a Lei Federal nº 11.907, aprovada em 2005, que obrigou todo diesel ser composto de 2% de biodiesel. Em 2013 a composição obrigatória passou para pelo menos 5%.

No dia 11 de abril foi realizado o 60º Leilão do biodiesel, quando a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) arrematou 928,138 milhões de litros de biodiesel, dos quais 927,693 milhões de litros foram para a mistura obrigatória. As negociações giraram em torno de R$ 2,25 milhões.

Vantagens

Em relação ao óleo diesel comum a principal vantagem do biodiesel é que ele é obtido a partir de fontes renováveis, sendo cem vezes mais biodegradável e não tóxico. Ele emite 98% menos CO2 do que o petróleo e não produz fumaça preta, nem odores desagradáveis como explica Sakson.

“O consumo interno de diesel no Brasil é de 54,5 bilhões de litros por ano. Desse total, são importados 23% (13 bilhões de litros por ano) do diesel consumido internamente. A preços atuais, a produção e o consumo de 5,4 bilhões de litros de biodiesel em 2018 equivale a economia de cerca de US$ 2,8 bilhões na balança comercial brasileira, pois cada litro de biodiesel substitui um litro de diesel de petróleo”, diz.

Um estudo, em conjunto, da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) e da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja-MT) descobriu que trocar o diesel de petróleo pelo biocombustível pode diminuir a poluição entre 65% e 72%.

Xtendra BL100 e Xtendra BL200

A estrutura química do biodiesel é muito sensível à oxidação e à degradação térmica, que podem levar à formação de ácidos orgânicos e depósitos que afetam os filtros internos do motor e a bomba de combustível.

Foi a partir desse problema que a CFS desenvolveu dois antioxidantes: o Xtendra BL100 e Xtendra BL200, como destaca Frederico.

Antioxidante da CFS. Foto: CFS/ Divulgação.

“Formulado especificamente com um sistema solvente não inflamável e de baixa toxicidade. As substâncias ativas funcionam como um desativador de metal combinado com TBHQ, um dos antioxidantes de biodiesel mais eficientes” destacou ele.

A diferença entre os dois é que o Xtendra BL100 tem 10% a menos de composto antioxidante, o TBHQ, em sua composição.

Os produtos receberam a certificação do “No Harm Test e Eficiência relativa” – AGQM (Alemanha) e Registro de Aditivo de Combustível da Agência de Proteção Ambiental norte-americana, (EPA).

 

*Sob a supervisão de Sara Lira.

 

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