Hydro Alunorte suspende as atividades no Brasil

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Inspeção nas instalações da Hydro Alunorte em março. Foto: Hydro/ Divulgação.

Decisão é temporária e também atinge operações da mina de bauxita de Paragominas e da fábrica de alumínio Albras.

A refinaria de alumina Hydro Alunorte vai suspender integralmente as operações na planta de Barcarena (PA), no Brasil. Conforme comunicado divulgado pela empresa nesta quarta-feira (3), a decisão foi tomada após a empresa constatar que a área de depósito de resíduos de bauxita 1 (DRS1) está próxima de atingir a capacidade máxima, devido ao embargo que impede o uso do equipamento filtro prensa, no DRS2.

Isso terá efeito imediato na mina de bauxita de Paragominas, que também suspenderá 100% das operações. Tanto a Alunorte quanto a mina de Paragominas iniciaram o processo de desligamento com segurança.

Desde março a Alunorte opera com 50% da produção, após embargos de autoridades ambientais brasileiras, que impedira a utilização dessa segunda estrutura. Só para instalar o filtro prensa, a companhia investiu mais de R$ 1 bilhão.

“O filtro prensa é a tecnologia mais moderna e sustentável para depositar resíduos de bauxita, reduzindo a área de armazenamento necessária e a pegada ambiental. A Alunorte desde o embargo fez esforços sem sucesso junto as autoridades para ter permissão para utilizar o filtro prensa, bem como o DRS2”, informou a Hydro, por meio de nota.

Devido ao embargo, a Alunorte foi forçada a operar apenas o DRS1, que foi originalmente planejado para ser encerrado, segundo a empresa. Com isso, a estrutura está se aproximando do fim da vida útil mais rápido do que o previsto, forçando a Alunorte a encerrar temporariamente as operações.

“Nosso time tem trabalhado duro nos últimos sete meses para manter operações seguras e preservar empregos. Este é um dia triste, pois temos a tecnologia mais avançada do mundo para continuar com operações seguras, que estamos impedidos de utilizar. Isso afetará empregos, comunidades, fornecedores e clientes”, destacou o vice-presidente Executivo de Bauxita & Alumina da Hydro, John Thuestad.

De acordo com a Hydro, a empresa está em diálogo com os sindicatos para reduzir as consequências sobre os empregados diretos e indiretos nas duas unidades. A empresa informou que ainda é cedo para determinar o impacto da decisão, mas que certamente terá consequências operacionais e financeiras significativas.

“Continuaremos trabalhando de forma construtiva com as autoridades para suspender o embargo e retomar as operações, a fim de restabelecer a Alunorte como a maior refinaria de alumina do mundo”, pontuou Thuestad.

Histórico

As operações da companhia foram afetadas após chuvas fortes nos dias 16 e 17 de fevereiro em Barcarena, que provocaram vazamento de rejeitos do depósito de resíduos de bauxita, de acordo com relatório do Instituto Evandro Chagas. A empresa, no entanto, diz que não houve transbordo ou vazamento e que não há indícios de contaminação.

A Alunorte opera com 50% da capacidade desde o dia 1º de março, após determinação da Justiça, que acatou pedido da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas). Consequentemente, a mina de bauxita de Paragominas e a fábrica de alumínio Albras também reduziram suas produções em 50%.

Para mitigar os impactos, a refinaria e a mineradora concederam férias coletivas para cerca de mil empregados. Porém, em julho, a Mineração Paragominas precisou suspender temporariamente os contratos de trabalho de 80 empregados e reduzir 175 posições terceirizadas.

No dia 5 de setembro, a Alunorte assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) e um Termo de Compromisso (TC) com autoridades, que permitiriam a retomada das operações.

 

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