Operação conjunta cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão contra possíveis envolvidos no rompimento em Brumadinho (MG). Outros três empregados da empresa também foram detidos.

Dois engenheiros e três funcionários da Vale foram presos na manhã desta terça-feira (29), em uma operação conjunta do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF). A ação investiga o envolvimento deles com o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), na última sexta-feira (25). Também foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão.

De acordo com informações divulgadas pelo MPMG, foi decretada prisão temporária por 30 dias e todos os presos serão ouvidos pelo órgão, em Belo Horizonte. Os três funcionários são diretamente envolvidos e responsáveis pelo empreendimento em Brumadinho e seu licenciamento. Já os engenheiros, atestaram a estabilidade da barragem em data recente, não informada pelo MP. Também foram apreendidos documentos e provas que serão encaminhadas para análise junto ao MP.

Dos cinco alvos da operação, dois moram em São Paulo e os demais residem na região metropolitana de Belo Horizonte. O MPF, pela Procuradoria da República em Minas Gerais, e a PF, pela sua Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico cumpriram os mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal em Belo Horizonte a pedido das instituições, na sede da Vale em Nova Lima (MG) e em uma empresa sediada na capital paulista. Esta prestou para a mineradora serviços de projetos e consultoria na área de barragens

Os presos são: os engenheiros André Jum Yassuda, César Augusto Paulino Grandchamp e Makoto Manba; o gerente de meio ambiente, saúde e segurança do complexo minerário,  Ricardo de Oliveira e o gerente executivo operacional responsável pelo complexo de Paraopeba, Rodrigo Arthur Gomes de Melo.

 

O pedido formulado pelo MPMG foi feito por intermédio da Promotoria de Justiça da Comarca de Brumadinho, da Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente das Bacias dos Rios das Velhas e Paraopeba e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e pelo Grupo Especial de Promotores de Justiça de Defesa do Patrimônio Público (GEPP), no âmbito de força-tarefa específica.

Em Minas, a operação contou com o apoio das Polícias Militar e Civil do Estado e, ainda, com atuação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Gaeco daquele estado. Nas diligências houve a participação de procuradores da República lotados em Minas Gerais e São Paulo, policiais federais, bem como peritos das áreas de informática, mineração e geologia.

“Os órgãos de investigação têm trabalhado de forma concatenada para apuração dos graves crimes relacionados com o rompimento da barragem, sendo que as investigações se encontram em andamento”, informou o MPMG, por meio de nota.

A Vale também se manifestou por meio de nota. “Referente aos mandados cumpridos nesta manhã, a Vale informa que permanecerá contribuindo com as investigações para a apuração dos fatos, juntamente com o apoio incondicional às famílias atingidas”, disse.

Tragédia

A barragem da mina do Córrego do Feijão se rompeu no horário do almoço na sexta-feira (25), atingindo a área administrativa da empresa e parte da Vila Ferteco em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. Conforme balanço atualizado e divulgado pelo Corpo de Bombeiros na manhã desta terça-feira, já foram constatados 65 mortos, dos quais 31 identificados. Outras 279 pessoas permanecem desaparecidas e 386 foram localizadas.

 

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