Depoimentos e e-mails obtidos pela TV Globo mostram que profissionais já haviam identificado problemas na estrutura.

A Vale já havia identificado problemas nos sensores responsáveis por monitorar a barragem que se rompeu em Brumadinho (MG), no dia 25 de janeiro. De acordo com informações do portal G1, uma troca de e-mails entre profissionais da mineradora e duas empresas ligadas à segurança da estrutura apontaram a situação dois dias antes da tragédia. As mensagens foram identificadas pela Polícia Federal.

A barragem se rompeu no horário de almoço, derramando cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos que atingiram a parte administrativa da empresa, uma pousada, comunidades próximas e o Rio Paraopeba. Conforme o último balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros na quarta-feira (6), já foram confirmados 150 mortos e 182 pessoas permanecem desaparecidas.

Em seus depoimentos, obtidos pela TV Globo, os engenheiros da empresa TÜV SÜD, André Jum Yassuda e Makoto Namba, responsáveis por laudos de estabilidade da barragem, também demonstraram ter consciência dos perigos.

Durante questionamento a Namba, o delegado Luiz Augusto Nogueira, da Polícia Federal, cita os e-mails trocados entre os funcionários da Vale, da TÜV SÜD e da Tec Wise, outra empresa contratada pela mineradora. As mensagens começaram a ser trocadas em 23 de janeiro, às 14h38, e se prolongaram até às 15h05 do dia seguinte, um dia antes da barragem se romper.

Nas perguntas, o delegado diz que o assunto das mensagens “diz respeito a dados discrepantes obtidos através da leitura dos instrumentos automatizados (piezômetros) no dia 10/01/2019, instalados na barragem B1 do CCF, bem como acerca do não funcionamento de 5 (cinco) piezômetros automatizados”. No depoimento não constam detalhes sobre os e-mails.

“E se seu filho estivesse lá?”

Após lidas as mensagens para ele, Namba foi questionado sobre “qual seria sua providência caso seu filho estivesse trabalhando no local da barragem”. Segundo relatório da Polícia Federal, ele respondeu que “após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para seu filho para que evacuasse do local bem como que ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do PAEBM [Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração] para as providências cabíveis”.

Makoto Namba ainda relatou uma reunião com funcionários da Vale sobre laudo de estabilidade assinado por ele. Segundo o engenheiro, um funcionário da Vale chamado Alexandre Campanha perguntou: “A TÜV SÜD vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”.

A resposta de Namba, conforme consta nos depoimentos obtidos pela Globo, foi que assinaria o laudo se a Vale adotasse as recomendações indicadas na revisão periódica de junho de 2018. Então, ele assinou o documento.

Segundo ele, “apesar de ter dado esta resposta para Alexandre Campanha, o declarante sentiu a frase proferida pelo mesmo e descrita neste termo como uma maneira de pressionar o declarante e a TÜV SÜD a assinar a declaração de condição de estabilidade sob o risco de perderem o contrato”.

Respostas

Por meio de nota, a Vale informou que vem colaborando com as investigações e destacou que entregou voluntariamente documentos e emails no segundo dia útil após o evento, para procuradores da República e delegado da Polícia Federal. “A companhia se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades”, informou.

Já a TÜV SÜD informou que está colaborando com as investigações em andamento, e que “não está atualmente em posição de fornecer quaisquer informações adicionais” no momento.

Os advogados Augusto de Arruda Botelho e Brian Alves Prado, que defendem os engenheiros, disseram que não vão comentar.

Yassuda, Namba e três funcionários da Vale foram presos pela Polícia Federal na semana passada. Porém na última terça-feira (5), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que eles fossem libertados.

 

Com informações do G1.

 

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