Artigo: A mineração da bauxita é pop

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Foto: Carlos Penteado

 

*Por Milton Rego

“Temos de tornar a mineração pop em nosso País”, disse recentemente o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. A declaração fazia referência à bem-sucedida campanha publicitária do agronegócio veiculada em horário nobre na Rede Globo. O “Agro é Pop” poliu o lado brilhante do segmento e o transformou em sinônimo de modernidade, prosperidade e motivo de orgulho para os brasileiros.

Concordo com o ministro. A mineração nacional merece ter a sua imagem resgatada. Quando praticada de maneira responsável, segura e sustentável, a exploração dos recursos naturais gira a roda da economia, traz desenvolvimento, faz o País crescer.

Pode parecer um despropósito fazer tal afirmação depois das tragédias de Mariana, em 2015, e de Brumadinho, em janeiro deste ano, ambas em Minas Gerais. Mas existem, sim, inúmeros exemplos no País de atividades mineradoras que geram riqueza, ao mesmo tempo em que respeitam o homem e a natureza. A extração da bauxita, minério que ao ser transformado dá origem ao alumínio, é um desses casos.

O Brasil possui a quarta maior reserva de bauxita do mundo e ocupa também a quarta posição entre os maiores produtores do minério. Nossa bauxita é considerada de ótima qualidade. Em 2017, produzimos 38 milhões de toneladas, o que coloca o País como um personagem de peso no mercado internacional. Grande parte – 75% – foi industrializada aqui mesmo, gerando tributos, empregos e agregando valor à cadeia produtiva nacional.

As nossas maiores reservas estão localizadas na Amazônia, no Pará. Uma mina de bauxita é uma operação complexa, que exige investimentos volumosos, planejamento de longo prazo e, sobretudo, diálogo e interação permanentes com as comunidades no entorno do empreendimento. Estamos falando de regiões remotas, muitas vezes alcançadas de forma precária pelo braço do poder constituído. Nesse caso, são as companhias de mineração que levam infraestrutura, serviços básicos e uma rede de apoio às populações locais, na forma de programas e benefícios.

À responsabilidade social dessas empresas corresponde igualmente o cuidado com o meio ambiente. Aqui vale um parênteses: para operar no Brasil, um empreendimento de mineração tem de cumprir uma série de licenças ambientais, além, claro, de seguir a legislação específica em vigor, que está longe de ser permissiva. As empresas de mineração de bauxita filiadas à Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) vão além do que exige a lei brasileira, pois estão alinhadas às melhores práticas de mineração responsável e sustentável no mundo.

A lavra da bauxita no País segue principalmente o método mining strips: grandes tiras de terra que são mineradas e recuperadas em sequência. O processo começa com a cuidadosa remoção da cobertura vegetal e da camada de estéreis da terra. Ambas são preservadas para reuso. Em seguida, a bauxita é extraída e levada para beneficiamento. Quando a lavra na tira chega ao fim, uma nova é aberta, ao mesmo tempo em que se inicia a recuperação da terra minerada, com a devolução da camada de estéreis e da cobertura vegetal originais, além do replantio de espécies endêmicas. As filiadas da ABAL mantêm a relação de 1 para 1 entre área minerada e área reabilitada.

Investimento em tecnologia, em pesquisa e um alto grau de responsabilidade ambiental estão por trás de histórias de sucesso, como na região de Miraí, em Minas Gerais, onde a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) mantém lavras de bauxita em áreas que foram lavouras de café. Graças à um programa de recuperação de terras desenvolvido pela CBA em parceria com uma universidade local, as antigas lavras foram novamente cultivadas com café e hoje apresentam uma produtividade maior do que antes de servirem à mineração.

A Alcoa e a Hydro, em suas áreas de mineração no Pará, aplicam métodos inovadores que aceleram a recuperação do solo. Um exemplo é a técnica de nucleação, que proporciona uma diminuição na emissão de gases do efeito estufa. A Mineração Rio do Norte (MRN), no entorno das suas áreas de lavra, promove ações de conservação e pesquisa ambiental por meio de convênios com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e com as Faculdades Integradas do Tapajós (FIT), no Pará.

Ou seja, nada a ver com a imagem da exploração predatória de garimpos ilegais que ronda o imaginário nacional, principalmente o do público urbano, quando a palavra ‘mineração’ entra na conversa. Se sua reputação está arranhada é a hora de recuperá-la, pois se trata de uma atividade estratégica para o País. E isso é responsabilidade de empresas, como as da indústria do alumínio, que a praticam dentro de padrões de governança corporativa, sustentabilidade e de segurança social e ambiental.

Para resumir numa expressão: a mineração da bauxita já é pop. É hora de termos orgulho do que construímos!

 

*Milton Rego é Engenheiro mecânico, economista e bacharel em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Especialista em Gestão pela Fundação Dom Cabral, desde 2014 é o presidente-executivo da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL).

 

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Ass. Brasileira do Alumínio
A Associação Brasileira do Alumínio – ABAL foi fundada em 15 de maio de 1970 pela Alcan Alumínio do Brasil Ltda, Alcominas (atual Alcoa Alumínio S.A.) e Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), empresas produtoras de alumínio primário, além das transformadoras Aisa Alumínio Indústria Ltda, Asa Alumínio S.A. Extrusão e Laminação e Kaiser Alumínio do Brasil S.A. A empresa Aisa foi incorporada, no início da década de 80, pela Alcoa Alumínio S.A. Instalou-se então um foro comum para a discussão dos assuntos pertinentes à indústria do alumínio, visando a conciliação de interesses entre produtores e transformadores, a ampliação da representatividade do setor junto ao governo e à comunidade ligada a essa indústria.

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