Votorantim Cimentos demonstra interesse nos ativos da LafargeHolcim no país

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Líder do mercado nacional diz que vai avaliar os ativos do grupo franco-suíço no país colocados à venda em abril.

A líder do mercado brasileiro de cimento em vendas e sexta maior do mundo em capacidade de produção, a Votorantim Cimentos informou nesta quarta-feira (19) que vai analisar os ativos do grupo franco-suíço LafargeHolcim no país colocados à venda. “Na posição de líder no Brasil temos o dever de considerar toda e qualquer oportunidade de negócio”, disse o presidente da companhia, Marcelo Castelli, em entrevista ao Valor.

De acordo com o executivo, a empresa vai seguir o processo de venda da LafargeHolcim, avaliar as condições e ver como será realizada a operação, se em um único bloco ou em partes. E, mais ainda, as situações dos ativos e que potencial de retorno trariam para a Votorantim numa possível aquisição. “Vamos analisar, com parcimônia, pois temos uma estratégia global e continuaremos, sempre, muito seletivos”, afirmou Castelli.

A LafargeHolcim anunciou sua intenção de sair do Brasil por razões de estratégia de negócios no setor. No país, ela é o terceiro maior fabricante, com operação de dez fábricas e outras unidades (centros de distribuição e mineradoras de calcário). O valor do pacote é estimado, no mínimo, em US$ 1 bilhão, à vista.

A Votorantim Cimentos é a líder de mercado nacional, com cerca de 30% a 35% do volume comercializado, o dobro da vice-líder, a InterCement (Mover/ Camargo Corrêa). O setor conta com 23 grupos fabricantes e viveu uma profunda crise de 2015 a 2018. A recuperação do consumo começou em 2019 e no ano passado teve alta de 11%.

Segundo Castelli, a Votorantim não está impedida de participar do processo da LafargeHolcim, negócio que passará pelo crivo do Cade, o órgão antitruste brasileiro. “Todos os players que estão no país terão de passar por essa avaliação, uma vez que algumas fábricas terão sobreposição”. Nesses casos, o Cade costuma aplicar o critério de “remédios”, ou seja, obriga a venda de ativos para aprovar.

A estratégia da Votorantim passa por uma visão mais global, buscando maior equilíbrio entre mercados emergentes e maduros, porém com países de moeda forte, como dólar e euro. Nesse caso, a atenção se volta para oportunidades como a que teve em 2020. Fez uma transação, em ações, para comprar a McInnis Cement da Caisse de dépôt et placement du Québec (CDPQ), investidor institucional, que ficou com 17% da companhia na América do Norte.

Com a operação, a capacidade de produção da Votorantim Cimentos na região (EUA e Canadá) cresceu 40% ao agregar uma fábrica construída em 2017, além de um amplo sistema de distribuição e navegação cobrindo a Costa Leste até a cidade de Nova York.

Em relação à abertura de capital da empresa, Castelli ressaltou que ainda não está na hora para a empresa, apesar do bom momento que vive o setor no país e do movimento nessa direção de duas fabricantes – InterCement e CSN Cimentos – que já estão com processo avançados para irem à B3. Segundo ele o objetivo é por uma oferta pública de ações (IPO) global. Será uma ‘dual listing’ – na B3 e numa Bolsa do exterior”.

RECEITA LÍQUIDA DE R$ 4 BILHÕES NO 1T21

Nesta quinta-feira, a Votorantim Cimentos divulgou o balanço do primeiro trimestre, reportando lucro líquido de R$ 227 milhões. Com isso, reverteu perda de R$ 380 milhões de um ano atrás. Destaque para a expansão de 318% no Ebitda ajustado, para R$ 971 milhões, com margem de 24%. A geração de Ebitda na operação do Brasil foi de R$ 594 milhões – aumento de 433%. A receita líquida no período atingiu R$ 4 bilhões, com aumento de 46% ante os R$ 2,75 bilhões do primeiro trimestre do ano passado. O Brasil foi responsável por R$ 2,2 bilhões.

 

Fonte: Valor.