A Nexa Resources encerrou o primeiro trimestre de 2026 (1T26) com lucro líquido de US$ 118 milhões, resultado quatro vezes superior ao registrado no mesmo período do ano passado (1T25), quando a companhia havia apurado US$ 29 milhões. Na comparação com o 4T25, o lucro também avançou, já que naquele período a empresa registrou US$ 81 milhões.

O Ebitda ajustado alcançou US$ 283 milhões entre janeiro e março, crescimento anual de 126%, enquanto a receita líquida somou US$ 888 milhões, alta de 42% em relação ao 1T25.

Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado principalmente pela valorização dos metais no mercado internacional, com destaque para a prata. O preço de referência da LBMA apresentou média 164% superior à registrada no 1T25. O aumento dos volumes vendidos nos smelters e os ganhos operacionais nas unidades brasileiras também contribuíram para o resultado.

No comparativo trimestral, a performance foi considerada mista. O avanço nos preços do zinco e da prata, além do recorde operacional da unidade de Aripuanã, compensou parcialmente a menor produção nas minas do Complexo Cerro Pasco e de Cerro Lindo, afetadas por fortes chuvas, bloqueios comunitários em Atacocha e uma interrupção não programada no sistema de içamento de El Porvenir. A Nexa informou que todas as ocorrências já foram solucionadas e as operações retomaram os níveis normais de produção.

O CEO da companhia, Ignacio Rosado, destacou que a combinação entre preços elevados da prata e maior processamento nos smelters reforçou a geração de caixa da empresa.

Aripuanã registrou mais um recorde trimestral de produção de zinco, e nossos smelters brasileiros continuaram sua recuperação”, afirmou o executivo.

Aripuanã registra recorde histórico de produção

A unidade de Aripuanã atingiu um novo recorde trimestral de produção de zinco, totalizando 13 mil toneladas, sustentado principalmente por maiores teores do minério processado.

A Nexa informou ainda que o comissionamento do quarto filtro de rejeitos está em andamento e deve reduzir uma das principais limitações sazonais da operação.

Nas operações metalúrgicas brasileiras, os smelters seguiram em recuperação operacional. A unidade de Juiz de Fora ampliou em 56% sua produção de zinco em relação ao 1T25, enquanto Três Marias registrou crescimento de 17%, impulsionado por melhorias nos circuitos de hidrometalurgia e tostagem.

Produção mineral cresce no ano, mas recua frente ao 4T25

A produção de zinco nas minas da companhia somou 79 mil toneladas no trimestre, alta de 18% na comparação anual. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, houve retração de 13%, reflexo da menor movimentação de minério em Cerro Pasco e Cerro Lindo.

A produção de chumbo atingiu 15 mil toneladas, avanço de 19% em um ano. Já a produção de cobre caiu 16%, para 6,4 mil toneladas, devido à sequência planejada de lavra. A produção de prata totalizou 2,3 milhões de onças, queda anual de 3%.

Nos smelters, a produção de zinco metálico e óxido alcançou 147 mil toneladas, volume 11% superior ao do 1T25. As vendas também totalizaram 147 mil toneladas, com crescimento anual de 13%.

Nexa amplia participação na receita da prata em Cerro Lindo

A mineradora informou que atingiu, ao fim de abril, o limite de entrega de 19,5 milhões de onças previsto no contrato de silver streaming da mina de Cerro Lindo.

Com isso, a parcela comprometida da produção de prata caiu de 65% para 25%. A partir do 2T26, a companhia passará a reter 75% da produção de prata da operação para comercialização a preços de mercado, ante 35% anteriormente.

CAPEX é mantido em US$ 381 milhões para 2026

Os investimentos da companhia somaram US$ 72 milhões no primeiro trimestre, direcionados principalmente ao desenvolvimento das minas e à manutenção operacional.

Parte dos recursos foi destinada à Fase I do Projeto de Integração Cerro Pasco, que recebeu US$ 8 milhões no período. A empresa reafirmou o guidance de CAPEX para 2026 em US$ 381 milhões.

A dívida líquida encerrou março em US$ 1,481 bilhão, acima dos US$ 1,3 bilhão registrados no fim de 2025, refletindo impactos sazonais de capital de giro, impostos e pagamento de bônus.

Apesar disso, a alavancagem financeira apresentou melhora. A relação dívida líquida/Ebitda ajustado caiu para 1,59 vez, ante 2,09 vezes no 1T25.

Reservas minerais aumentam 4,4%

A Nexa também informou avanço no Projeto de Integração Cerro Pasco, no Peru. As obras civis e a instalação de equipamentos seguem dentro do cronograma, com previsão de conclusão da construção no 3T26 e finalização do projeto até o quarto trimestre.

O início do bombeamento está estimado para o 2T27, após aprovação operacional das autoridades peruanas.

As reservas minerais provadas e prováveis da companhia cresceram 4,4%, alcançando 115,1 milhões de toneladas, com ampliação da vida útil das minas de Aripuanã, Vazante, Cerro Pasco e Cerro Lindo.

ESG, descarbonização e ações sociais

No campo ESG, a companhia destacou iniciativas de desenvolvimento social, diversidade, economia circular e descarbonização.

Entre as ações anunciadas estão programas de empoderamento feminino próximos ao smelter de Cajamarquilla, no Peru, apoio ao empreendedorismo por meio do edital Nexa Transforma e a entrega de uma unidade de produção de farinha de mandioca à Comunidade Indígena Ponte Nova, em Aripuanã.

A empresa também concluiu reformas em escolas próximas à unidade de Cajamarquilla, beneficiando cerca de 2,3 mil estudantes, além de apoiar ações emergenciais em Juiz de Fora após fortes chuvas.

Na área de inovação, a Nexa concluiu um projeto de otimização de backfill em Cerro Lindo, reduzindo consumo de água e cimento, além de avançar em soluções de monitoramento geomecânico com inteligência artificial.

 

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