A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a fabricante de compressores Tecumseh firmaram uma parceria estratégica para desenvolver tecnologia nacional voltada à produção e ao aprimoramento de ímãs de terras raras utilizados em sistemas de refrigeração. A iniciativa é conduzida pela Unidade Embrapii-UFSCar Materiais e busca fortalecer a capacidade brasileira de agregar valor a minerais considerados essenciais para setores de alta tecnologia.
O projeto ganha relevância em um cenário de crescente disputa global pelas terras raras, grupo de minerais fundamentais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e outras tecnologias de ponta. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses recursos, o que amplia o debate sobre a necessidade de avançar da exportação de matéria-prima para a produção local de componentes tecnológicos.
A pesquisa é coordenada pelo professor Adilson Jesus Aparecido de Oliveira, do Departamento de Física da UFSCar, e tem como foco os ímãs de neodímio empregados nos compressores produzidos pela Tecumseh. O objetivo é não apenas viabilizar a fabricação desses componentes no País, mas também aprimorar suas propriedades magnéticas e estruturais.
Entre os desafios estudados estão o aumento do campo magnético dos ímãs, o que poderá reduzir o tamanho e o peso dos compressores, além da ampliação da resistência térmica dos materiais. Com isso, os equipamentos poderão operar em faixas de temperatura mais elevadas sem perda de desempenho, ampliando suas possibilidades de aplicação industrial.
Fundada nos Estados Unidos e pioneira na produção de sistemas de refrigeração com compressores herméticos, a Tecumseh é atualmente a maior fabricante de compressores rotativos do tipo inverter no hemisfério ocidental. Em São Carlos, onde mantém duas unidades industriais e cerca de dois mil colaboradores, a empresa vê na parceria uma oportunidade de unir pesquisa avançada e inovação aplicada.
Segundo Homero Cremm Busnelli, diretor de Relações Institucionais da Tecumseh, a colaboração permite alinhar demandas de mercado com atividades de pesquisa e desenvolvimento, criando perspectivas para novos estudos com materiais inovadores nos próximos anos.
Para Ernesto Chaves Pereira, diretor da Unidade Embrapii-UFSCar, o projeto representa uma iniciativa pioneira para a companhia, que optou por desenvolver tecnologia fora de seus centros internos de pesquisa, consolidando o ambiente de inovação existente em São Carlos.
A equipe reúne especialistas de diferentes áreas do conhecimento. Além de Oliveira, participam os professores Alexandre José Gualdi, do Departamento de Física, e Lucas Barcelos Otani e Francisco Gil Coury, do Departamento de Engenharia de Materiais. A integração entre pesquisadores das áreas de magnetismo e ligas metálicas é apontada como um dos diferenciais da iniciativa.
Com previsão de duração até o final de 2027, o projeto deverá avançar posteriormente para uma etapa de produção piloto dos ímãs, permitindo avaliar a viabilidade da manufatura em pequena escala. A iniciativa também envolve pesquisadores de pós-doutorado e estudantes de graduação, contribuindo para a formação de profissionais qualificados e para o desenvolvimento científico nacional.










